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    Begomovirus spp., Carlavirus spp., Comovirus spp., Crinivirus spp., Cucumovirus spp., Ipomovirus spp., Potyvirus spp., Tobamovirus spp., Torradovirus spp., Tospovirus spp. e outros

    1. Identificação

    Os vírus de plantas constituem um grupo extremamente diverso de agentes patogénicos que afetam culturas agrícolas, hortícolas, ornamentais e espécies espontâneas. As infeções manifestam‑se por mosaicos, cloroses, deformações, necroses, anéis, redução do crescimento e perdas significativas de produtividade. A transmissão ocorre por vetores como afídeos, moscas‑brancas, tripes, nemátodos, sementes, pólen ou contacto mecânico. Entre os vírus mais relevantes encontram‑se representantes de vários géneros amplamente distribuídos e de grande impacto económico.

    2. Agente causal

    Os vírus pertencem a múltiplas famílias e géneros, cada um com características taxonómicas e epidemiológicas próprias.

    • Begomovirus, descrito por Stanley et al. (2005), família Geminiviridae; inclui vírus de DNA transmitidos por Bemisia tabaci, como Tomato yellow leaf curl virus (TYLCV).
    • Potyvirus, descrito por Adams et al. (2005), família Potyviridae; maior grupo de vírus de plantas, incluindo Potato virus Y (PVY) e Zucchini yellow mosaic virus (ZYMV).
    • Tobamovirus, descrito por Adams et al. (2009), família Virgaviridae; vírus muito estáveis transmitidos mecanicamente, como Tobacco mosaic virus (TMV) e Tomato brown rugose fruit virus (ToBRFV).
    • Cucumovirus, descrito por Smith (1972), família Bromoviridae; inclui Cucumber mosaic virus (CMV), com mais de 1000 hospedeiros.
    • Tospovirus, descrito por Milne (1970), família Tospoviridae; transmitidos por tripes, como Tomato spotted wilt virus (TSWV).
    • Crinivirus, descrito por Klaassen et al. (1994), família Closteroviridae; transmitidos por mosca‑branca, como Tomato chlorosis virus (ToCV).
    • Carlavirus, descrito por Adams et al. (2005), família Betaflexiviridae; inclui Potato virus S (PVS).
    • Comovirus, descrito por van Kammen & de Jager (1978), família Secoviridae; transmitidos por nemátodes, como Bean pod mottle virus (BPMV).
    • Ipomovirus, descrito por Fauquet et al. (2005), família Potyviridae; transmitidos por mosca‑branca, como Sweet potato mild mottle virus (SPMMV).
    • Torradovirus, descrito por Verbeek et al. (2007), família Secoviridae; transmitidos por mosca‑branca, como Tomato torrado virus (ToTV).
    • Outros géneros relevantes incluem Luteovirus, Polerovirus, Nanovirus, Orthotospovirus e Alphaflexivirus.

    3. Hospedeiros principais

    • Solanáceas (tomateiro, pimenteiro, batateira).
    • Cucurbitáceas (pepino, melão, abóbora, courgette).
    • Leguminosas (feijoeiro, ervilheira, tremoço).
    • Fruteiras (citros, videira, bananeira).
    • Ornamentais (crisântemos, gerberas, petúnias, roseiras).
    • Espécies espontâneas que funcionam como reservatórios.
    • Plantas jovens e tecidos tenros são geralmente mais suscetíveis.

    4. Sintomas

    • Mosaicos, cloroses e padrões irregulares nas folhas.
    • Deformações foliares, encarquilhamento e bolhas.
    • Necroses, anéis cloróticos e estrias.
    • Redução do crescimento e nanismo.
    • Frutos deformados, descolorados ou com maturação irregular.
    • Perdas significativas de produtividade e qualidade.

    5. Ciclo da doença

    • Sobrevivência em plantas hospedeiras, ornamentais e infestantes.
    • Transmissão por vetores específicos (afídeos, mosca‑branca, tripes, nemátodes).
    • Disseminação mecânica por ferramentas ou contacto.
    • Transmissão por sementes ou pólen em alguns vírus.
    • Replicação sistémica após infeção.
    • Persistência em ambientes protegidos e climas amenos.

    6. Condições favoráveis

    • Elevada densidade de vetores.
    • Temperaturas amenas a quentes.
    • Presença de plantas infestantes reservatório.
    • Culturas contínuas ou sobreposição de ciclos.
    • Ambientes protegidos com elevada densidade de plantas.
    • Ferimentos mecânicos e manipulação frequente.

    7. Gestão da doença

    • Remoção de plantas infetadas e eliminação de hospedeiros alternativos.
    • Controlo de vetores com métodos culturais, biológicos ou autorizados.
    • Utilização de variedades resistentes ou tolerantes.
    • Higienização rigorosa de ferramentas e estruturas.
    • Uso de material vegetal certificado e livre de vírus.
    • Monitorização regular de sintomas e vetores.
    • Barreiras físicas e redes anti‑insetos em estufas.
    • Rotação de culturas e interrupção de ciclos contínuos.

    Referências bibliográficas

    • Adams, M. J., Antoniw, J. F., & Fauquet, C. M. (2005). Molecular criteria for genus and species discrimination within the family Potyviridae. Archives of Virology, 150, 459–479.
    • Adams, M. J. et al. (2009). Family Virgaviridae. ICTV Report.
    • García‑Arenal, F., & Zerbini, F. M. (2019). Plant virus diversity and evolution. Annual Review of Phytopathology, 57, 113–132.
    • Hull, R. (2014). Plant Virology. Academic Press.
    • Jones, R. A. C. (2021). Global plant virus disease pandemics and epidemics. Plants, 10, 233.
    • Klaassen, V. A. et al. (1994). Crinivirus: a new genus of whitefly‑transmitted plant viruses. Phytopathology, 84, 1068–1074.
    • Milne, R. G. (1970). The classification of tospoviruses. Virology, 42, 256–259.
    • Navas‑Castillo, J., Fiallo‑Olive, E., & Sanchez‑Campos, S. (2011). Emerging virus diseases transmitted by whiteflies. Annual Review of Phytopathology, 49, 219–248.
    • Scholthof, K.-B. G. et al. (2011). Top 10 plant viruses in molecular plant pathology. Molecular Plant Pathology, 12, 938–954.
    • Smith, K. M. (1972). Cucumovirus classification. Journal of General Virology, 14, 1–10.
    • Stanley, J. et al. (2005). Revised taxonomy of the family Geminiviridae. Archives of Virology, 150, 821–837.
    • van Kammen, A., & de Jager, C. P. (1978). The Comovirus group. Annual Review of Phytopathology, 16, 95–116.
    • Verbeek, M. et al. (2007). Torradovirus: a new genus of plant viruses. Archives of Virology, 152, 1527–1532.

     

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