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Tecidos, fios ou fibras animais

1. Identificação e origem

Os materiais de origem animal utilizados em ambientes interiores incluem fibras queratínicas (lã, pêlo, penas), seda e outros derivados proteicos. Estes materiais são utilizados em vestuário, têxteis-lar, estofos, tapetes, mantas, acessórios e peças de coleção. A sua composição orgânica e elevada capacidade higroscópica tornam-nos suscetíveis ao ataque de insetos queratinófagos e ao desenvolvimento de fungos em condições inadequadas de armazenamento.

2. Importância e vulnerabilidade

Os tecidos e fibras animais são valorizados pela durabilidade, isolamento térmico, conforto e valor estético. Contudo, apresentam vulnerabilidade significativa a pragas específicas (ex.: traças dos têxteis, escaravelhos dos carpetes) e a fungos em ambientes húmidos. Danos podem resultar em perdas económicas, deterioração irreversível de peças de valor e contaminação cruzada entre compartimentos de armazenamento.

3. Caracterização dos materiais

Os materiais de origem animal são constituídos maioritariamente por proteínas estruturais (queratina, fibroína), que servem de substrato alimentar para diversos insetos.
Características relevantes:

  • elevada capacidade de absorção de humidade
  • sensibilidade a variações térmicas
  • degradação acelerada por luz UV
  • libertação de odores que podem atrair insetos
  • tendência para acumular poeiras e matéria orgânica

4. Exigências de conservação

A conservação adequada destes materiais exige:

  • humidade relativa controlada (ideal 45–55%)
  • temperatura estável (15–20 °C)
  • boa ventilação e ausência de condensação
  • proteção contra luz direta
  • armazenamento limpo, seco e isolado de fontes de infestação
  • utilização de caixas, sacos ou contentores adequados (preferencialmente herméticos ou com barreira física)

5. Principais pragas

  • Traça‑dos‑têxteis (Tineola bisselliella, Tinea pellionella) — perfurações, galerias e destruição de fibras queratínicas
  • Escaravelho‑dos‑carpetes (Anthrenus spp., Attagenus spp.) — larvas alimentam-se de lã, penas e pêlos
  • Ácaros de armazenamento (Acarus siro, Tyrophagus putrescentiae) — degradação superficial e contaminação
  • Peixinho‑de‑prata (Lepisma saccharinum) — danos em misturas têxteis e colas
  • Baratas (Blattella germanica, Periplaneta americana) — contaminação e danos indiretos por fezes e secreções

6. Principais doenças e deteriorações

  • Fungos de armazenamento (Aspergillus spp., Penicillium spp.) — manchas, odor a mofo e fragilização das fibras
  • Deterioração oxidativa por luz UV — descoloração e perda de resistência
  • Degradação química por poluentes (NOx, ozono) — fragilização e amarelecimento
  • Danos mecânicos por manipulação inadequada — rasgos, deformações e abrasão

7. Gestão geral e medidas preventivas

A gestão destes materiais deve integrar:

  • limpeza regular de armários, prateleiras e caixas, removendo poeiras e matéria orgânica
  • inspeção periódica para deteção precoce de pragas (ovos, larvas, excrementos, casulos)
  • armazenamento em contentores fechados, preferencialmente com barreira física
  • utilização de sacos de algodão ou caixas herméticas para peças sensíveis
  • lavagem ou limpeza a seco antes de guardar peças por longos períodos
  • controlo ambiental (humidade, temperatura, ventilação)
  • isolamento e tratamento de peças infestadas
  • monitorização com armadilhas específicas para traças e escaravelhos
  • evitar acumulação excessiva de peças e garantir circulação de ar
  • manutenção de boas práticas de higiene no espaço envolvente

Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Tineola bisselliella, Anthrenus spp.
  • CABI – Tineola bisselliella, Attagenus spp., Anthrenus spp.
  • Pinniger, D. (2015). Pest Management in Museums, Archives and Historic Houses. Archetype Publications.
  • Querner, P. (2015). Insect pests in museums. Conservation Science in Cultural Heritage, 15, 161–178.
  • Florian, M.-L. (2002). Fungal Facts: Solving Fungal Problems in Heritage Collections. Archetype.

 

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