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    Beta spp.

    1. Identificação e origem

    A beterraba (Beta vulgaris L.) é uma espécie da família Amaranthaceae que inclui vários grupos cultivados: beterraba‑hortícola, acelga, beterraba‑sacarina e beterraba‑forrageira. Todas derivam da forma selvagem Beta vulgaris subsp. maritima, nativa das zonas costeiras do Atlântico e Mediterrâneo. O termo Beta spp. é utilizado para referir o conjunto de formas cultivadas e silvestres do género.

    2. Importância económica

    A beterraba apresenta grande importância agrícola e industrial. A beterraba‑sacarina é responsável por cerca de 20–25% da produção mundial de açúcar. A beterraba‑hortícola é amplamente consumida como hortícola fresca ou processada, enquanto a acelga é valorizada pelas folhas. A beterraba‑forrageira é usada como alimento animal. A Europa é uma das principais regiões produtoras de beterraba‑sacarina.

    3. Caracterização botânica

    Planta herbácea bienal (cultivada como anual), com raiz pivotante que pode ser engrossada (beterraba‑hortícola e sacarina) ou alongada (forrageira). As folhas são simples, alternas, com pecíolo longo e limbo de cor verde a vermelho‑escuro, dependendo da cultivar. As inflorescências são espigas densas com flores pequenas, verde‑amareladas, agrupadas em glomérulos. O fruto é um utrículo incluído num conjunto endurecido de periantos, formando os característicos “aglomerados de sementes”.

    4. Exigências edafoclimáticas

    A cultura adapta‑se a climas temperados, preferindo temperaturas entre 15–24 °C. Tolera frio moderado, mas é sensível a geadas fortes em fases iniciais.
    Requer solos profundos, bem drenados, férteis, com pH entre 6,0 e 7,5. Solos ácidos reduzem o desenvolvimento radicular. A cultura necessita de boa luminosidade e humidade regular, evitando encharcamentos que favorecem podridões.

    5. Principais pragas

    • Afídeos (Aphididae): transmissão de viroses e redução de vigor.
    • Mosca‑da‑beterraba (Pegomya hyoscyami): galerias nas folhas.
    • Nemátodos (Heterodera schachtii): redução do crescimento e necroses radiculares.
    • Noctuídeos (lagartas): desfolha parcial.
    • Alticinas (Chrysomelidae): perfurações foliares em plântulas.

    6. Principais doenças

    • Cercosporiose (Cercospora beticola): manchas foliares circulares, uma das doenças mais importantes da cultura.
    • Oídio (Erysiphe betae): micélio branco nas folhas.
    • Podridões radiculares (Rhizoctonia solani, Pythium spp.): morte de plântulas e podridão do colo.
    • Vírus do amarelecimento da beterraba (BYV): cloroses e redução de produtividade.
    • Ferrugem (Uromyces betae): pústulas castanhas nas folhas.

    7. Gestão cultural geral

    A gestão inclui rotação de culturas com não‑amarantháceas, utilização de sementes certificadas, controlo de infestantes nas primeiras semanas após a emergência e fertilização equilibrada, com atenção ao boro, essencial para evitar necroses internas da raiz. A rega deve ser regular, evitando oscilações bruscas que provocam fendas radiculares. A colheita é realizada quando as raízes atingem o calibre desejado, evitando atrasos que favorecem lignificação.


    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database – Beta vulgaris.
    • CABI Crop Compendium – Beta vulgaris.
    • Biancardi, E., Campbell, L. G., Skaracis, G. N., & De Biaggi, M. (2010). Sugar Beet. Springer.
    • Daunay, M. C., et al. (2009). Beetroot. In: Prohens & Nuez (Eds.), Handbook of Plant Breeding: Vegetables II. Springer.
    • Draycott, A. P. (2006). Sugar Beet. Blackwell Publishing.

     

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