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    Malus domestica

    1. Identificação e origem

    A macieira (Malus domestica Borkh.), pertencente à família Rosaceae, é uma das fruteiras temperadas mais antigas e amplamente cultivadas no mundo. A espécie resulta de um complexo processo de hibridação e domesticação envolvendo sobretudo Malus sieversii (Ledeb.) M.Roem. (Ásia Central) e Malus sylvestris (L.) Mill. (Europa). A domesticação iniciou‑se há mais de 4 000 anos na região do Cazaquistão, com posterior difusão para a Europa, Ásia e, mais tarde, para o continente americano.

    2. Importância económica

    A maçã é uma das frutas mais produzidas globalmente, com elevado valor económico e forte presença na indústria alimentar. É consumida fresca, processada (sumos, sidra, purés, desidratados) e utilizada em pastelaria. Os principais produtores incluem China, Estados Unidos, Polónia, Turquia, Itália e França. Em Portugal, destaca‑se a produção nas regiões da Beira Alta, Beira Interior, Oeste e Trás‑os‑Montes, com denominações de origem como Maçã de Alcobaça e Maçã Bravo de Esmolfe.

    3. Caracterização botânica

    Árvore caducifólia de porte médio (3–8 m), com copa arredondada e ramos produtivos curtos. As folhas são simples, ovadas, serradas e pubescentes na página inferior. As flores, brancas a rosadas, surgem em corimbos e são essencialmente entomófilas, com forte dependência de polinizadores. O fruto é um pomo, com epicarpo fino, mesocarpo carnudo e sementes alojadas em cinco lóculos. O sistema radicular é relativamente superficial, especialmente quando enxertado em porta‑enxertos ananicantes.

    4. Exigências edafoclimáticas

    A macieira é típica de climas temperados, necessitando de acumulação de frio invernal (600–1 500 horas < 7 °C, dependendo da cultivar) para quebra da dormência. Prefere temperaturas moderadas durante o crescimento e noites frescas na fase de maturação. Desenvolve‑se melhor em solos profundos, bem drenados, de textura média, com pH entre 6,0 e 7,0. É sensível ao encharcamento e beneficia de rega regular em regiões secas. A escolha do porta‑enxerto influencia vigor, tolerância a solos pesados, resistência a doenças e produtividade.

    5. Principais pragas

    • Bichado‑da‑fruta (Cydia pomonella): Principal praga dos frutos, causando galerias e perdas comerciais.
    • Pulgão‑lanígero (Eriosoma lanigerum): Forma colónias em ramos e raízes, causando deformações e declínio.
    • Pulgões verdes (Aphis pomi, Dysaphis plantaginea): Enrolamento foliar e transmissão de viroses.
    • Mineira‑da‑folha (Phyllonorycter blancardella): Galerias foliares e redução da fotossíntese.
    • Ácaros (Panonychus ulmi, Tetranychus urticae): Cloroses e perda de vigor.
    • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata): Danos em cultivares tardias.
    • Nemátodos (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp.): Declínio radicular e menor produtividade.

    6. Principais doenças

    • Pedrado (Venturia inaequalis): A doença mais importante da macieira, causando lesões em folhas e frutos.
    • Oídio (Podosphaera leucotricha): Revestimento branco em folhas e rebentos, afetando crescimento e frutificação.
    • Fogo bacteriano (Erwinia amylovora): Doença devastadora, causando necroses, murchidão e morte de ramos.
    • Cancros (Neonectria ditissima, Botryosphaeria spp.): Necroses e morte de ramos.
    • Podridões de pós‑colheita (Penicillium expansum, Botrytis cinerea): Perdas significativas no armazenamento.
    • Míldio‑lanoso (Peronospora farinosa): Menos comum, mas grave em condições húmidas.
    • Viroses (ex.: vírus da mosaico da macieira, vírus da clorose): Redução de vigor e produtividade.

    7. Gestão cultural geral

    A gestão da macieira envolve:

    • Escolha de cultivares e porta‑enxertos adaptados ao clima, solo e necessidades de frio.
    • Poda de formação e frutificação, essencial para equilibrar vigor e produção.
    • Polinização cruzada, garantindo a presença de cultivares compatíveis e colmeias.
    • Gestão da fertilidade com foco em azoto, cálcio e boro para qualidade do fruto.
    • Rega controlada, evitando encharcamento e défices hídricos na fase de enchimento do fruto.
    • Monitorização fitossanitária, com especial atenção a pedrado, bichado‑da‑fruta e fogo bacteriano.
    • Desbaste de frutos, promovendo calibres maiores e reduzindo alternância de produção.
    • Colheita no ponto ótimo, considerando firmeza, cor, teor de sólidos solúveis e destino comercial.
    • Armazenamento em atmosfera controlada, prolongando a conservação pós‑colheita.

    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database. Malus domestica – pests and diseases.
    • CABI Invasive Species Compendium. Malus domestica – datasheets.
    • Ferree, D. C., & Warrington, I. J. (Eds.). (2003). Apples: Botany, Production and Uses. CABI.
    • Tromp, J., Webster, A. D., & Wertheim, S. J. (2005). Fundamentals of Temperate Zone Tree Fruit Production. Backhuys Publishers.
    • Jackson, J. E. (2003). The Biology of Apples and Pears. Cambridge University Press.

     

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