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Citrus × paradisi

1. Identificação e origem

A toranjeira (Citrus × paradisi Macfad.) é uma espécie híbrida da família Rutaceae, resultante do cruzamento natural entre Citrus maxima (Burm.) Merr. (pomelo) e Citrus sinensis (L.) Osbeck (laranjeira‑doce). O híbrido terá surgido no século XVIII nas Caraíbas, sendo posteriormente difundido para regiões subtropicais de produção citrícola. É cultivada sobretudo para consumo fresco e para indústria de sumos.

2. Importância económica

A toranja possui valor comercial relevante em mercados internacionais, especialmente nos Estados Unidos, Israel, África do Sul e alguns países mediterrânicos. É apreciada pelo sabor ácido‑amargo característico e pelo elevado teor de vitamina C, antioxidantes e compostos bioativos. A produção destina-se ao consumo em fresco, sumos, concentrados e indústria alimentar. Em Portugal, a cultura é minoritária mas crescente em explorações citrícolas do Algarve e Alentejo.

3. Caracterização botânica

A toranjeira é uma árvore de porte médio, com 4–6 m de altura, copa arredondada e densa. As folhas são simples, coriáceas, com pecíolo alado. As flores são brancas, aromáticas, hermafroditas, agrupadas em inflorescências axilares. O fruto é um hesperídio grande, de casca espessa, polpa segmentada e coloração variável (amarela, rosada ou vermelha). O sistema radicular é profundo, sensível à asfixia radicular e à salinidade.

4. Exigências edafoclimáticas

A toranjeira adapta-se a climas subtropicais quentes, com temperaturas ótimas entre 20 e 30 °C. É sensível a geadas e ventos frios. Prefere solos bem drenados, de textura média, com pH entre 6,0 e 7,5. A cultura exige boa luminosidade e disponibilidade hídrica regular, evitando encharcamento. A coloração rosada/vermelha dos frutos é favorecida por amplitudes térmicas moderadas.

5. Principais pragas

  • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata) — perfurações e deterioração dos frutos
  • Cochonilha‑algodão (Planococcus citri) — sucção de seiva, melada e fumagina
  • Pulgão‑preto (Aphis spiraecola) — sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Mineira‑dos‑citrinos (Phyllocnistis citrella) — galerias em folhas jovens e redução do vigor
  • Ácaros (Panonychus citri, Tetranychus urticae) — descoloração e queda de folhas
  • Tripes (Scirtothrips aurantii) — danos em folhas jovens e cicatrizes nos frutos

6. Principais doenças

  • Cancro‑citrinos (Xanthomonas citri subsp. citri) — lesões corticosas e queda de frutos
  • Mancha‑preta dos citrinos (Phyllosticta citricarpa) — manchas necróticas e perda comercial
  • Podridões radiculares (Phytophthora nicotianae, P. citrophthora) — declínio e morte de plantas
  • Vírus da tristeza dos citrinos (CTV) — cloroses, declínio e incompatibilidade com porta‑enxertos sensíveis
  • Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) — necroses foliares e podridão pós‑colheita

7. Gestão cultural geral

A gestão da toranjeira baseia-se na escolha de porta‑enxertos adaptados ao solo e tolerantes a doenças do solo. A poda de formação e limpeza melhora a ventilação e reduz a pressão de pragas. A monitorização de mosca‑da‑fruta, cochonilhas e mineira é essencial. A irrigação deve ser regular, evitando encharcamento. A fertilização equilibrada, com atenção ao boro e ao magnésio, favorece a qualidade dos frutos. A colheita é realizada quando os frutos atingem coloração e teor de sólidos solúveis adequados ao mercado.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Citrus × paradisi, Citrus maxima, Citrus sinensis
  • CABI – Crop Protection Compendium – Citrus × paradisi
  • Spiegel‑Roy, P., & Goldschmidt, E. E. (1996). Biology of Citrus. Cambridge University Press.
  • Talon, M., Caruso, M., & Gmitter, F. G. (2020). The Genus Citrus. Woodhead Publishing.
  • Ladaniya, M. S. (2008). Citrus Fruit: Biology, Technology and Evaluation. Academic Press.

 

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