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Marssonina spp. e Colletotrichum spp.

1. Identificação

Marssonina spp. e Colletotrichum spp. são grupos de fungos patogénicos responsáveis por doenças foliares, caulinares e de frutos em diversas culturas agrícolas. As doenças mais comuns incluem:

Doenças causadas por Marssonina spp.:

  • Mancha foliar da macieira — causada por Marssonina coronaria Ellis & J.J. Davis
  • Mancha foliar da nogueira — causada por Marssonina juglandis Lib.
  • Mancha foliar da roseira — causada por Marssonina rosae Lib.

Doenças causadas por Colletotrichum spp.:

  • Antracnose do morangueiro — causada por Colletotrichum acutatum J.H. Simmonds
  • Antracnose do feijoeiro — causada por Colletotrichum lindemuthianum Sacc. & Magnus
  • Antracnose dos citrinos — causada principalmente por Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc.
  • Antracnose da mangueira — causada por Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc.
  • Podridão negra em solanáceas — causada por Colletotrichum coccodes (Wallr.) S.J. Hughes

Estas espécies afetam culturas hortícolas, fruteiras, ornamentais e industriais, provocando perdas económicas relevantes.

2. Agente causal

Marssonina spp. pertence à família Dermateaceae (Ascomycota), produzindo conídios hialinos libertados a partir de acérvulos formados em tecidos infetados. Colletotrichum spp. pertence à família Glomerellaceae (Ascomycota), caracterizando‑se por conídios hialinos, unicelulares, geralmente fusiformes, produzidos em acérvulos com setas características. Ambos sobrevivem em restos culturais, folhas caídas, sementes e solos contaminados.

3. Hospedeiros principais

Marssonina spp.

  • Fruteiras: macieira, pereira, nogueira
  • Ornamentais: roseiras
  • Espécies florestais: castanheiro, nogueira‑negra

Colletotrichum spp.

  • Hortícolas: tomateiro, pimenteiro, pepino, feijoeiro
  • Fruteiras: morangueiro, citrinos, abacateiro, mangueira
  • Ornamentais diversas
  • Culturas industriais: café, algodão

4. Sintomas

Os sintomas causados por Marssonina spp. iniciam‑se como pequenas manchas circulares verde‑acinzentadas, evoluindo para lesões necróticas escuras com halo amarelo. Em macieira e nogueira, a doença provoca desfolha precoce e redução da capacidade fotossintética. Em roseira, surgem manchas irregulares que comprometem o vigor da planta.

Colletotrichum spp. provoca antracnoses caracterizadas por lesões deprimidas, escuras, com bordos definidos. Em frutos, podem surgir massas de conídios rosadas ou salmão. Em folhas, as manchas podem coalescer, levando à necrose. Em caules e pecíolos, a infeção pode causar cancro e quebra de tecidos.

Ambos os agentes apresentam progressão rápida em condições favoráveis, comprometendo a produção e a qualidade comercial.

5. Ciclo da doença

Marssonina spp. e Colletotrichum spp. sobrevivem em restos culturais, folhas caídas, sementes e solos contaminados.

Disseminação:

  • Conídios transportados pela chuva
  • Conídios transportados pela irrigação
  • Conídios transportados pelo vento
  • Conídios disseminados por contacto entre plantas ou ferramentas

Infeção:

  • Favorecida por humidade elevada
  • Ocorre em tecidos jovens, folhas ativas, frutos imaturos e feridas

Ciclo policíclico:

  • Múltiplas infeções ao longo da estação, especialmente em períodos húmidos

6. Condições favoráveis

O desenvolvimento destes agentes é favorecido por ambientes húmidos, precipitação frequente, temperaturas moderadas a altas e períodos prolongados de molhamento foliar. Densidade elevada de plantação e ventilação insuficiente aumentam a severidade da doença. A presença de restos culturais contaminados funciona como fonte contínua de inóculo, permitindo a repetição da doença ao longo de vários ciclos culturais.

7. Gestão da doença

A gestão assenta na redução da humidade foliar, melhoria da ventilação e remoção de tecidos infetados. A rotação de culturas e a escolha de variedades menos suscetíveis reduzem a pressão da doença. A monitorização regular permite intervenções atempadas. O controlo biológico pode ser aplicado com antagonistas autorizados. O controlo químico deve seguir a regulamentação local e alternar modos de ação para evitar resistências.


Referências bibliográficas

  • Agrios, G. N. (2005). Plant Pathology. Elsevier.
  • EPPO – Diagnostic Protocols for Marssonina spp.
  • EPPO – Diagnostic Protocols for Colletotrichum spp.
  • FAO – Guidelines for Integrated Disease Management in Fruit and Horticultural Crops.
  • Sutton, B.C. (1992). The Genus Colletotrichum.

 

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