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Vitis vinifera

1. Identificação e origem

A videira (Vitis vinifera L.) é uma espécie lenhosa da família Vitaceae, originária da região do Cáucaso e do Crescente Fértil, onde foi domesticada há mais de 7 000 anos. É atualmente a principal espécie vitícola a nível mundial, base da produção de uvas para vinho, mesa e passa. Em Portugal, encontra-se amplamente distribuída em todas as regiões vitivinícolas, com grande diversidade de castas autóctones.

2. Importância económica

A vinha é uma das culturas agrícolas de maior valor económico global, sustentando as indústrias do vinho, uva de mesa, uva passa e derivados. Em Portugal, representa um setor estratégico, com forte impacto económico, social e cultural. A viticultura nacional destaca-se pela diversidade de castas, qualidade dos vinhos e importância das Denominações de Origem Protegida (DOP). A cultura contribui ainda para a fixação de carbono, conservação da paisagem e manutenção de sistemas agrícolas tradicionais.

3. Caracterização botânica

A videira é uma planta trepadora, com sarmentos lenhosos e gavinhas opostas às folhas. As folhas são palmadas, com 3–5 lóbulos e margem serrada. As inflorescências são panículas compostas, com flores pequenas e hermafroditas. O fruto é uma baga (uva), com epiderme fina, polpa suculenta e sementes (ou apirenas em cultivares específicas). O sistema radicular é profundo e ramificado, conferindo boa exploração do solo. O ciclo vegetativo inclui abrolhamento, floração, vingamento, pintor e maturação.

4. Exigências edafoclimáticas

A videira adapta-se a climas temperados e mediterrânicos, com elevada tolerância à secura estival. Prefere solos bem drenados, de textura média, com pH entre 6,0 e 7,5. Tolera solos pobres, desde que não encharcados. A qualidade da uva é fortemente influenciada pela radiação solar, amplitude térmica e disponibilidade hídrica moderada. O excesso de vigor, associado a solos férteis ou irrigação excessiva, reduz a qualidade do fruto.

5. Principais pragas

  • Filoxera (Daktulosphaira vitifoliae) — danos radiculares graves; principal razão para o uso de porta‑enxertos americanos
  • Traça‑da‑uva (Lobesia botrana) — perfurações e favorecimento de podridões
  • Traça‑dos‑cachos (Criptoblabes gnidiella) — danos crescentes em bagos, sobretudo em regiões quentes
  • Cigarrinha‑verde (Empoasca vitis) — cloroses e redução da fotossíntese
  • Cochonilhas (Planococcus ficus, Pseudococcus spp., Parthenolecanium corni) — melada, fumagina e transmissão de vírus
  • Cicadelídeo vetor da flavescência dourada (Scaphoideus titanus) — transmissão do fitoplasma responsável pela doença
  • Ácaros (Tetranychus urticae, Calepitrimerus vitis) — descoloração foliar e redução do vigor

6. Principais doenças

  • Míldio (Plasmopara viticola) — manchas oleosas e necroses foliares
  • Oídio (Erysiphe necator) — revestimento branco e danos em folhas e bagos
  • Podridão‑cinzenta (Botrytis cinerea) — podridões em condições húmidas
  • Esca e outras doenças do lenho (Phaeoacremonium spp., Phaeomoniella chlamydospora) — declínio e morte de braços
  • Flavescência dourada (fitoplasma do grupo 16SrV) — amarelecimento, enrolamento, abortamento de cachos; transmitida por Scaphoideus titanus
  • Vírus do enrolamento da folha (GLRaV) — enrolamento, cloroses e redução da produção

7. Gestão cultural geral

A gestão da vinha baseia-se na escolha de porta‑enxertos adaptados ao solo e resistentes à filoxera. A poda de inverno e a poda em verde regulam o vigor e a produção. O controlo de míldio e oídio é essencial, especialmente em regiões húmidas. A gestão da vegetação (desfolha, desponta, desavinho) melhora a ventilação e a qualidade dos cachos. A monitorização de Lobesia botrana, Criptoblabes gnidiella e Scaphoideus titanus é crítica para prevenir danos e doenças associadas. A rega deve ser moderada e ajustada ao objetivo produtivo. A colheita ocorre quando a uva atinge maturação tecnológica e fenólica adequadas ao tipo de vinho ou destino comercial.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Vitis vinifera
  • CABI – Crop Protection Compendium – Vitis vinifera
  • Jackson, R. S. (2014). Wine Science: Principles and Applications. Academic Press.
  • Keller, M. (2015). The Science of Grapevines: Anatomy and Physiology. Academic Press.
  • OIV. (2017). Viticulture: Compendium of International Methods and Practices. Organisation Internationale de la Vigne et du Vin.

 

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