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× Triticosecale

1. Identificação e origem

O triticale (× Triticosecale) é um cereal híbrido obtido pelo cruzamento entre o trigo (Triticum spp.) e o centeio (Secale cereale L.). O objetivo da hibridação foi combinar a produtividade e qualidade do trigo com a rusticidade e tolerância a solos pobres do centeio. O desenvolvimento moderno do triticale iniciou‑se no século XX, com cultivares estáveis e férteis atualmente amplamente utilizados em sistemas de produção de sequeiro e regadio.

2. Importância económica

O triticale é valorizado pela elevada produtividade, boa tolerância ao frio e capacidade de adaptação a solos menos férteis. É utilizado sobretudo para alimentação animal (grão e forragem), silagem e, em menor escala, para panificação e indústria. Em Portugal, tem relevância crescente em sistemas extensivos do Alentejo e regiões interiores, onde se destaca pela boa performance em anos secos e pela estabilidade produtiva.

3. Caracterização botânica

O triticale apresenta características intermédias entre trigo e centeio. As plantas são anuais, com colmos ocos, folhas lineares e sistema radicular profundo e vigoroso. A inflorescência é uma espiga semelhante à do trigo, mas mais alongada e com maior rusticidade. Os grãos são cariopses de tamanho variável, com teor proteico geralmente superior ao do trigo. A morfologia e o ciclo variam entre cultivares, influenciando a adaptação a diferentes ambientes.

4. Exigências edafoclimáticas

O triticale adapta‑se bem a climas temperados e mediterrânicos, com boa tolerância ao frio e maior resistência à secura do que o trigo. Prefere solos bem drenados, de textura média, com pH entre 5,5 e 7,5. Tolera solos mais pobres e ácidos do que Triticum aestivum. A produtividade é favorecida por precipitação outono‑invernal adequada e temperaturas moderadas durante o enchimento do grão.

5. Principais pragas

  • Pulgão‑dos‑cereais (Sitobion avenae, Rhopalosiphum padi) — sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Gorgulho‑do‑trigo (Sitophilus granarius) — danos em grão armazenado
  • Lagartas (Helicoverpa armigera, Mythimna unipuncta) — redução da área foliar
  • Mosca‑dos‑cereais (Oscinella frit) — danos em plântulas e perfilhos
  • Nemátodos (Heterodera avenae) — quistos radiculares e redução do vigor

6. Principais doenças

  • Ferrugem‑parda (Puccinia triticina) — pústulas foliares e perda de produtividade
  • Ferrugem‑amarela (Puccinia striiformis) — estrias amarelas e necroses
  • Septoriose (Zymoseptoria tritici) — manchas foliares e redução da fotossíntese
  • Fusariose da espiga (Fusarium graminearum, F. culmorum) — branqueamento da espiga e micotoxinas
  • Oídio (Blumeria graminis) — revestimento branco e redução do vigor

7. Gestão cultural geral

A gestão do triticale baseia‑se na escolha de cultivares adaptados ao clima e ao sistema de produção. A rotação de culturas é essencial para reduzir pressão de doenças foliares e do solo. A fertilização deve ser equilibrada, com atenção ao azoto para evitar acamamento. A semente certificada e tratada reduz riscos de doenças iniciais. A monitorização de ferrugens, septoriose e pulgões é crítica em fases sensíveis. A colheita deve ocorrer quando o grão atinge humidade adequada para armazenamento seguro.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – × Triticosecale
  • CABI – Crop Protection Compendium – × Triticosecale
  • Oettler, G. (2005). The fortune of a botanical curiosity — triticale: past, present and future. Journal of Agricultural Science, 143, 329–346.
  • Mergoum, M. et al. (2009). Triticale: a “new” crop with old challenges. In: Carena, M. J. (ed.). Cereals. Springer.
  • Randhawa, H. S. et al. (2015). Triticale breeding — progress and prospects. Molecular Breeding, 35, 1–16.

 

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