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Pinus spp.

1. Identificação e origem

Os pinheiros (Pinus spp.) são coníferas perenes da família Pinaceae, amplamente distribuídas pelo Hemisfério Norte, desde regiões mediterrânicas até zonas boreais. Incluem espécies de grande importância ecológica, silvícola e económica. Em Portugal, destacam‑se Pinus pinaster Aiton (pinheiro‑bravo) e Pinus pinea L. (pinheiro‑manso).

2. Importância económica

Os pinheiros têm elevada relevância económica na produção de madeira, resina, biomassa e pinhão (no caso do pinheiro‑manso). São fundamentais na silvicultura nacional, na proteção de solos, na fixação de dunas e na recuperação de áreas degradadas. Têm ainda valor ornamental e paisagístico.

3. Caracterização botânica

Árvores perenes de porte médio a elevado, com copa cónica ou arredondada, dependendo da espécie e idade. As folhas são aciculares, agrupadas em fascículos (2, 3 ou 5 acículas). As pinhas são lenhosas, contendo sementes aladas ou pinhões (no caso de P. pinea). O sistema radicular é profundo nas fases iniciais, mas pode tornar‑se mais superficial em solos compactados.

4. Exigências edafoclimáticas

Os pinheiros adaptam‑se a uma grande variedade de climas, desde mediterrânicos a temperados. Preferem solos bem drenados, de textura arenosa a franca, com pH ligeiramente ácido. São tolerantes à seca, mas sensíveis a encharcamento. Em Portugal, o pinheiro‑bravo é mais resistente ao fogo, enquanto o pinheiro‑manso prefere zonas menos expostas a incêndios frequentes.

5. Principais pragas

  • Processionária‑do‑pinheiro (Thaumetopoea pityocampa): desfolha e risco sanitário
  • Gorgulho‑do‑pinheiro (Hylobius abietis): danos no colo e raízes de plantas jovens
  • Xilófagos (Ips sexdentatus, Tomicus piniperda, Orthotomicus erosus): galerias no tronco e declínio rápido
  • Afídeos das coníferas (Cinara spp.): sucção de seiva e melada
  • Cochonilhas (Diaspididae): perda de vigor e amarelecimento
  • Inseto vetor da murchidão do pinheiro – escaravelho‑longicórnio (Monochamus galloprovincialis): transmissão do nemátodo e declínio rápido das árvores

6. Principais doenças

  • Murchidão do pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus): murchidão súbita e morte rápida, transmitido por Monochamus galloprovincialis
  • Cancro resinoso (Fusarium circinatum): necroses e exsudação de resina
  • Podridões radiculares (Armillaria spp., Heterobasidion annosum): declínio progressivo
  • Ferrugens (Coleosporium spp.): manchas foliares e queda de acículas
  • Cancros e necroses (Diplodia sapinea): morte de ramos e declínio

7. Gestão cultural geral

A gestão dos pinheiros inclui a seleção de espécies adaptadas ao clima e ao solo, a prevenção de stress hídrico e a redução da carga combustível para minimizar o risco de incêndios. A monitorização de xilófagos e do inseto vetor Monochamus galloprovincialis é essencial, especialmente após períodos de seca ou tempestades. A remoção de árvores debilitadas e a gestão sanitária são fundamentais para prevenir a propagação de pragas e doenças como a murchidão do pinheiro.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Pinus spp.
  • CABI – Crop Protection Compendium – Pinus pinaster Aiton, Pinus pinea L.
  • Wingfield, M. J., et al. (2015). Diseases of conifers. Forest Pathology.
  • FAO (2020). Conifer Forest Management Manual.
  • Sousa, E., et al. (2015). Pine wilt disease in Europe. In: Forest Pathology. Springer.
  • Seidl, R., et al. (2017). Bark beetle dynamics in pine forests. Forest Ecology and Management.

 

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