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    Cydonia oblonga

    1. Identificação e origem

    O marmeleiro (Cydonia oblonga Mill.), pertencente à família Rosaceae, é uma fruteira de clima temperado originária da região do Cáucaso, Irão e Anatólia. Foi uma das primeiras fruteiras cultivadas pelo ser humano, difundindo‑se posteriormente para o Mediterrâneo e Europa Ocidental. É tradicionalmente valorizado pela produção de marmelos, utilizados sobretudo na confeção de marmelada, geleias e compotas.

    2. Importância económica

    O marmeleiro tem importância económica regional, sobretudo em países mediterrânicos, Médio Oriente e Ásia Central. Os frutos são utilizados quase exclusivamente para processamento, devido à polpa firme e adstringente quando consumida crua. A árvore é também amplamente utilizada como porta‑enxerto para pereira, conferindo menor vigor e maior precocidade. Em Portugal, destaca‑se a produção tradicional de marmelada e geleias artesanais.

    3. Caracterização botânica

    Árvore ou arbusto caducifólio de pequeno porte (3–5 m), com copa arredondada e ramos tortuosos. As folhas são simples, ovadas, com pubescência na página inferior. As flores são grandes, solitárias, de coloração branca a rosada. O fruto é um pomo grande, aromático, de casca amarela e textura firme. O sistema radicular é relativamente superficial, sensível ao encharcamento e à asfixia radicular.

    4. Exigências edafoclimáticas

    O marmeleiro adapta‑se bem a climas temperados e mediterrânicos, tolerando frio invernal e verões quentes. Prefere solos profundos, férteis, bem drenados, com pH entre 5,5 e 7,0. É mais tolerante à humidade do solo do que a pereira, mas sensível ao encharcamento prolongado. A cultura beneficia de boa luminosidade e rega regular em períodos secos.

    5. Principais pragas

    • Psila‑da‑pereira (Cacopsylla pyri): Sucção de seiva e produção de melada.
    • Afídeos (Aphis pomi, Dysaphis plantaginea): Enrolamento foliar e transmissão de viroses.
    • Ácaros (Panonychus ulmi, Tetranychus urticae): Cloroses e perda de vigor.
    • Bichado‑da‑fruta (Cydia pomonella): Perfurações e danos nos frutos.
    • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata): Danos em frutos maduros.
    • Nemátodos (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp.): Declínio radicular e menor produtividade.

    6. Principais doenças

    • Fogo bacteriano (Erwinia amylovora): Uma das doenças mais graves, causando necroses e morte de ramos.
    • Moniliose (Monilinia fructigena, M. laxa): Podridões em flores e frutos.
    • Pedrado (Venturia inaequalis): Lesões foliares e em frutos, embora menos severo que na macieira.
    • Cancros (Neonectria ditissima): Necroses em ramos e tronco.
    • Podridões radiculares (Phytophthora spp.): Murchidão e morte de plantas em solos encharcados.
    • Oídio (Podosphaera clandestina): Revestimento branco em folhas jovens.

    7. Gestão cultural geral

    Inclui a escolha de cultivares adaptados ao clima local, plantação em solos bem drenados, poda de formação e limpeza, adubação equilibrada com foco em potássio e cálcio, e rega regular sem encharcamento. A monitorização de fogo bacteriano, moniliose e psila‑da‑pereira é essencial. A colheita deve ser realizada quando os frutos atingem coloração amarela intensa e aroma característico, sendo posteriormente destinados ao processamento.


    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database. Cydonia oblonga – pests and diseases.
    • CABI Invasive Species Compendium. Cydonia oblonga – datasheets.
    • Jackson, J. E. (2003). The Biology of Apples and Pears. Cambridge University Press.
    • Tromp, J., Webster, A. D., & Wertheim, S. J. (2005). Fundamentals of Temperate Zone Tree Fruit Production. Backhuys Publishers.
    • Layne, R. E. C. (1996). Quince. In: Janick, J., & Moore, J. N. (Eds.), Fruit Breeding. Wiley.

     

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