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Escolitídeos (Scolytinae)

1. Identificação

  • Nome comum: Escolitídeos, escaravelhos‑da‑casca ou escaravelhos‑gravadores.
  • Nome científico: Várias especies da subfamília Scolytinae (ex.:Dendroctonus frontalis Zimmermann, Dendroctonus micans Kugelann, Dendroctonus ponderosae Hopkins, Euwallacea fornicatus Eichhoff, Hylastes ater Paykull, Hylurgus ligniperda Fabricius, Hypothenemus eruditus Westwood, Hypothenemus hampei Ferrari, Ips typographus L., Phloeosinus armatus Reitter, Polygraphus poligraphus L., Scolytus multistriatus Marsham, Scolytus scolytus Fabricius, Xyleborus dispar Fabricius, Xyleborus glabratus Eichhoff).
  • Ordem: Coleoptera.
  • Família: Curculionidae (subfamília Scolytinae).

2. Descrição do grupo

  • Adultos: Pequenos escaravelhos cilíndricos, geralmente com 1–6 mm, coloração castanha a negra, corpo compacto e antenas geniculadas; muitas espécies apresentam declive elitral com dentes característicos.
  • Larvas: Ápodas, esbranquiçadas, corpo curvo e cabeça castanha; desenvolvem‑se em galerias escavadas sob a casca ou no lenho superficial.
  • Pupas: Formadas em câmaras pupais no interior da casca ou madeira.
  • Ovos: Depositados em galerias nupciais ou câmaras de postura.
  • Comportamento: Muitas espécies são agregativas e utilizam feromonas; algumas transportam fungos simbiontes (ambrosia).

3. Hospedeiros principais

  • Coníferas diversas, incluindo pinheiros, abetos, píceas e larícios.
  • Folhosas como carvalhos, castanheiros, ulmeiros e outras espécies lenhosas.
  • Preferência por árvores debilitadas, recentemente abatidas ou sujeitas a stress, embora algumas espécies ataquem árvores saudáveis.

4. Sintomas e danos

  • Perfurações finas na casca, frequentemente acompanhadas de expulsão de serrim.
  • Galerias subcorticais características, interrompendo o fluxo de seiva e provocando necrose cambial.
  • Secura de ramos e copa, amarelecimento e queda prematura de folhas ou agulhas.
  • Declínio progressivo da árvore, podendo culminar na morte em ataques severos.
  • Introdução de fungos patogénicos associados, que agravam o declínio e aceleram a mortalidade.
  • Importância económica elevada em florestas e povoamentos de produção.

5. Ciclo biológico

  • Uma a várias gerações anuais, dependendo da espécie e das condições climáticas.
  • Adultos emergem na primavera ou verão e iniciam a escavação de galerias de postura.
  • Ovos depositados em galerias nupciais; larvas escavam galerias radiais.
  • Pupação sob a casca ou no lenho superficial.
  • Desenvolvimento favorecido por temperaturas elevadas, secas prolongadas e abundância de madeira debilitada.

6. Monitorização

  • Observação de perfurações finas e expulsão de serrim na casca.
  • Inspeção de ramos e troncos para deteção de galerias subcorticais.
  • Avaliação da copa para sinais de secura ou perda de vigor.
  • Armadilhas com feromonas específicas para deteção e acompanhamento populacional.
  • Monitorização reforçada após tempestades, cortes, podas ou períodos de stress hídrico.

7. Medidas de gestão

  • Culturais: Remoção e destruição de madeira infestada; gestão adequada de resíduos florestais; evitar armazenamento prolongado de madeira fresca.
  • Preventivas: Manutenção da vitalidade do povoamento; redução de stress hídrico; evitar ferimentos no tronco.
  • Proteção integrada: Monitorização regular; utilização de armadilhas com feromonas para deteção precoce; intervenção apenas quando necessário; práticas que reduzam a disponibilidade de madeira atrativa.
  • Enquadramento legal: Algumas espécies de escolitídeos, incluindo espécies exóticas invasoras e pragas de quarentena, estão regulamentadas na União Europeia ao abrigo do Regulamento (UE) 2016/2031 e do Regulamento de Execução (UE) 2019/2072, que estabelecem medidas obrigatórias de vigilância e controlo.

Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Scolytinae.
  • CABI Invasive Species Compendium – Scolytinae.
  • EFSA  – Scientific Opinions sobre pragas florestais e escolitídeos.
  • European Commission – Regulamento (UE) 2016/2031 relativo às medidas de proteção contra pragas de quarentena.
  • European Commission – Regulamento de Execução (UE) 2019/2072.
  • Lieutier, F. et al. (2004). Bark and Wood Boring Insects in Living Trees in Europe.
  • Wermelinger, B. (2004). Ecology and management of bark beetles in European conifer forests.

 

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