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Sorghum bicolor

1. Identificação e origem

O sorgo [Sorghum bicolor (L.) Moench] é uma gramínea anual da família Poaceae, cultivada para produção de grão, forragem, silagem e biomassa. A espécie tem origem no Nordeste de África, onde foi domesticada há mais de 5 000 anos, disseminando‑se posteriormente para regiões tropicais e subtropicais. É atualmente uma das principais culturas cerealíferas em ambientes semiáridos devido à sua elevada tolerância à seca.

2. Importância económica

O sorgo é utilizado para alimentação humana, produção de rações, silagem, forragem verde e como matéria‑prima para bioenergia. O grão é rico em amido e apresenta boa digestibilidade, sendo importante em sistemas agrícolas de baixos recursos hídricos. Em regiões mediterrânicas, o sorgo tem ganho relevância como alternativa ao milho em condições de escassez de água. Algumas variedades são utilizadas na produção de xarope, bebidas fermentadas e produtos industriais.

3. Caracterização botânica

O sorgo é uma planta anual de porte variável (1–4 m), com colmo ereto e robusto. As folhas são largas, alternas, com lígula membranosa. A inflorescência é uma panícula terminal, cuja forma varia entre compacta e aberta, dependendo do cultivar. Os grãos são pequenos, globosos, de cor variável (branco, amarelo, vermelho, castanho). O sistema radicular é profundo e altamente eficiente na exploração de água, conferindo grande resistência a stress hídrico.

4. Exigências edafoclimáticas

O sorgo adapta-se a climas quentes e secos, com temperaturas ótimas entre 25 e 30 °C. É uma das culturas cerealíferas mais tolerantes à seca e ao calor. Prefere solos bem drenados, de textura média, com pH entre 5,5 e 7,5. Tolera solos moderadamente salinos e condições de baixa fertilidade melhor do que o milho. A cultura responde bem à fertilização azotada e ao controlo de infestantes nas fases iniciais.

5. Principais pragas

  • Lagartas (Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera) — danos foliares e em panículas
  • Mosca‑do‑sorgo (Atherigona soccata) — destruição do meristema apical e perfilhamento anómalo
  • Pulgões (Melanaphis sacchari, Rhopalosiphum maidis) — sucção de seiva, fumagina e transmissão de viroses
  • Percevejos (Nezara viridula) — danos em panículas e grãos em formação
  • Tripes (Frankliniella schultzei) — danos em folhas jovens e panículas

6. Principais doenças

  • Antracnose (Colletotrichum sublineola) — manchas foliares e necroses
  • Míldio (Peronosclerospora sorghi) — cloroses, estrias e deformações foliares
  • Ferrugem (Puccinia purpurea) — pústulas foliares e redução da fotossíntese
  • Podridões do colmo (Fusarium spp., Macrophomina phaseolina) — quebra de colmos e declínio
  • Carvão do sorgo (Sporisorium sorghi) — panículas deformadas e perda de rendimento

7. Gestão cultural geral

A gestão do sorgo baseia-se na escolha de cultivares adaptados ao ciclo e às condições climáticas locais, na instalação em solos bem drenados e no controlo rigoroso de infestantes nas fases iniciais. A fertilização deve ser equilibrada, com atenção ao azoto e ao potássio. A monitorização de lagartas, pulgões e míldio é essencial, especialmente em períodos de calor e humidade. A rotação de culturas reduz a pressão de doenças do solo e de pragas específicas. A colheita deve ser realizada quando os grãos atingem maturação fisiológica e humidade adequada para armazenamento.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Sorghum bicolor
  • CABI – Crop Protection Compendium – Sorghum bicolor
  • Paterson, A. H., et al. (2009). The Sorghum bicolor genome and the diversification of grasses. Nature, 457, 551–556.
  • Boyles, R. E., et al. (2019). Genetic architecture of grain yield in sorghum. The Plant Genome, 12, 1–15.
  • Mace, E. S., et al. (2013). Whole‑genome sequencing of sorghum provides insights into the diversification of a C4 crop. Nature Communications, 4, 2320.

 

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