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Ipomoea batatas

1. Identificação e origem

A batata‑doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.] é uma espécie da família Convolvulaceae, originária da América Central e do Norte da América do Sul. A domesticação ocorreu há mais de 5 000 anos, com posterior dispersão para as Caraíbas, Polinésia e Ásia tropical. É atualmente cultivada em regiões tropicais, subtropicais e temperadas quentes, sendo uma das culturas de raiz mais importantes a nível mundial.

2. Importância económica

A batata‑doce é utilizada para consumo humano (fresca, farinha, produtos transformados), alimentação animal e indústria (amido, etanol). É valorizada pelo elevado teor de hidratos de carbono, vitaminas (particularmente vitamina A nas variedades de polpa alaranjada) e antioxidantes. Em Portugal, é cultivada sobretudo no Algarve, Oeste e Madeira, com destaque para a variedade regional “Lira” (Aljezur), com Indicação Geográfica Protegida (IGP).

3. Caracterização botânica

Planta herbácea perene, cultivada como anual, com hábito rasteiro e caules longos e flexíveis. As folhas são simples, alternas, com grande variabilidade morfológica (lobadas ou inteiras). As raízes tuberosas constituem o órgão de reserva e parte comercial da planta, apresentando diversidade em forma, cor da casca e cor da polpa (branca, amarela, laranja, roxa). As flores, quando presentes, são infundibuliformes, semelhantes às do género Ipomoea. A reprodução comercial é feita por estacas vegetativas.

4. Exigências edafoclimáticas

A batata‑doce prefere climas quentes, com temperaturas ótimas entre 24–30 °C. Tolera períodos curtos de seca, mas é sensível a geadas. Desenvolve‑se melhor em solos leves, bem drenados, com pH entre 5,5 e 6,5. Solos compactados ou encharcados favorecem podridões radiculares e reduzem a formação de raízes tuberosas. A cultura exige boa luminosidade e ciclos de 90–150 dias, dependendo da cultivar.

5. Principais pragas

  • Gorgulhos‑da‑batata‑doce (Cylas spp.): perfuração das raízes e galerias, causando perdas severas.
  • Mosca‑branca (Bemisia tabaci): sucção de seiva e transmissão de viroses.
  • Afídeos (Aphididae): vetores de vírus e redução de vigor.
  • Nemátodos (Meloidogyne spp.): galhas radiculares e deformações das raízes.
  • Noctuídeos (lagartas): desfolha e redução da área fotossintética.

6. Principais doenças

  • Podridão‑negra (Ceratocystis fimbriata): lesões escuras nas raízes e perda de qualidade.
  • Podridões por Fusarium spp.: necroses vasculares e deterioração pós‑colheita.
  • Vírus da feathery mottle (SPFMV) e vírus do chlorotic stunt (SPCSV): responsáveis pela doença “sweet potato virus disease” (SPVD), altamente destrutiva.
  • Oídio (Erysiphe spp.): micélio branco nas folhas em condições de humidade moderada.
  • Mancha‑parda (Alternaria spp.): necroses foliares.

7. Gestão cultural geral

A gestão inclui a utilização de material vegetativo certificado e livre de vírus, rotação de culturas para reduzir pressão de pragas do solo, fertilização equilibrada e rega regular. A monda e o controlo de infestantes são importantes nas fases iniciais. A colheita deve ser realizada com cuidado para evitar danos mecânicos, que favorecem podridões. O armazenamento requer condições de cura (temperatura e humidade controladas) para cicatrização das feridas e prolongamento da conservação.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Ipomoea batatas.
  • CABI – Crop Compendium – Ipomoea batatas.
  • FAO (2021). Sweet Potato Production Statistics. FAOSTAT.
  • Woolfe, J. A. (1992). Sweet Potato: An Untapped Food Resource. Cambridge University Press.
  • Loebenstein, G., & Thottappilly, G. (Eds.) (2009). The Sweetpotato. Springer.

 

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