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Ficus carica

1. Identificação e origem

A figueira (Ficus carica L.), pertencente à família Moraceae, é uma espécie arbórea originária da região mediterrânica e do Sudoeste Asiático, onde tem sido cultivada há milénios. É uma das fruteiras mais antigas domesticadas pelo ser humano, com registos arqueológicos que remontam a mais de 6.000 anos. A espécie integra o género Ficus, que inclui mais de 800 espécies tropicais e subtropicais, mas F. carica destaca‑se por ser a única amplamente cultivada em climas temperados. A sua adaptação a ambientes secos e solos pobres favoreceu a expansão por toda a bacia mediterrânica, Médio Oriente, Norte de África e, posteriormente, América e Austrália.

2. Importância económica

A figueira é valorizada pela produção de figos frescos e secos, com forte importância em mercados tradicionais e gourmet. Países como Turquia, Egito, Marrocos, Irão, Espanha e Itália são grandes produtores. O fruto é apreciado pelo sabor doce, valor nutricional e versatilidade culinária. A cultura apresenta boa rentabilidade em sistemas de sequeiro, sendo relevante em regiões de clima mediterrânico.

3. Caracterização botânica

Árvore caducifólia de porte médio (3–10 m), com copa ampla e ramos frágeis. As folhas são grandes, palmadas, profundamente lobadas e de textura áspera. O “fruto” é na verdade um sicónio — uma infrutescência carnuda que contém numerosas flores internas. Existem variedades uníferas (uma colheita anual) e bíferas (duas colheitas: figos‑lampos e figos‑vindimos). As raízes são vigorosas e exploram bem solos secos.

4. Exigências edafoclimáticas

Adapta‑se bem a climas mediterrânicos, tolerando verões quentes e secos e invernos moderados. Resiste a geadas ligeiras, mas temperaturas muito baixas podem danificar ramos jovens. Prefere solos bem drenados, de textura média a leve, com pH entre 6,0 e 7,5. Tolera solos pobres e pedregosos, mas é sensível ao encharcamento. A produção beneficia de boa exposição solar e de rega suplementar em fases críticas.

5. Principais pragas

  • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata): danos internos e queda prematura dos frutos.
  • Cochonilhas (Coccoidea): sucção de seiva e produção de melada.
  • Ácaros (Tetranychus spp.): cloroses e redução do vigor.
  • Bichado‑da‑figueira (Silba adipata): perfurações e deterioração dos frutos.
  • Lepidópteros e coleópteros ocasionais: danos foliares e perfurações.

6. Principais doenças

  • Antracnose (Colletotrichum spp.): manchas escuras em folhas e frutos.
  • Podridões radiculares (Phytophthora spp.): associadas a solos mal drenados.
  • Fumagina (fungos saprófitas): desenvolvimento sobre melada de cochonilhas.
  • Cancros lenhosos (fungos oportunistas): associados a feridas e stress hídrico.
  • Viroses ocasionais: mosaicos e deformações foliares.

7. Gestão cultural geral

Inclui a escolha de variedades adaptadas ao clima local, plantação em solos bem drenados, poda de formação e frutificação para arejamento da copa, rega moderada mas regular em períodos secos, adubação equilibrada, monitorização de pragas e doenças e colheita no ponto ideal de maturação. A figueira é adequada a sistemas de sequeiro, mas beneficia de rega controlada para maximizar calibre e qualidade dos frutos.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Ficus carica – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Ficus carica – datasheets.
  • Flaishman, M. A., et al. (2008). The fig: Botany, horticulture and breeding. Horticultural Reviews.
  • Tous, J., & Ferguson, L. (1996). Mediterranean fruits. In: J. Janick (Ed.), Progress in New Crops (pp. 416–430). ASHS Press.

 

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