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Quercus ilex e Quercus rotundifolia

1. Identificação e origem

A azinheira é uma espécie arbórea perene da família Fagaceae, representada principalmente por Quercus ilex L. (azinheira‑do‑Mediterrâneo) e Quercus rotundifolia Lam. (azinheira‑ibérica). Ambas são nativas da região mediterrânica, com ampla distribuição na Península Ibérica, Norte de África e Sul da Europa. São espécies estruturantes dos ecossistemas mediterrânicos, particularmente dos montados e dehesas.

2. Importância económica

A azinheira tem grande relevância económica e ecológica. Produz bolota, utilizada tradicionalmente na alimentação animal, sobretudo no sistema de montado, onde constitui a base da engorda do porco alentejano. A madeira é densa e resistente, usada em carpintaria, lenha e carvão. As azinheiras desempenham ainda funções essenciais na conservação do solo, regulação hidrológica e manutenção da biodiversidade. Em Portugal, integram sistemas agro‑silvo‑pastoris de elevado valor ecológico e cultural.

3. Caracterização botânica

Árvore perene, de copa densa e arredondada, atingindo 8–15 m de altura. As folhas são coriáceas, persistentes, de forma oval a elíptica, com margem inteira ou ligeiramente dentada. Q. ilex tende a apresentar folhas mais estreitas e verde‑escuras, enquanto Q. rotundifolia possui folhas mais arredondadas e tom acinzentado. A floração ocorre na primavera, com flores masculinas em amentilhos pendentes e flores femininas discretas. O fruto é a bolota, amadurecendo no outono.

4. Exigências edafoclimáticas

A azinheira é altamente adaptada ao clima mediterrânico, tolerando verões quentes e secos e invernos suaves. Prefere solos profundos, bem drenados e com textura média a franca, mas suporta solos pobres, pedregosos e ligeiramente ácidos. É resistente à seca prolongada, graças ao sistema radicular profundo. É sensível ao encharcamento e a solos compactados, que favorecem doenças radiculares.

5. Principais pragas

  • Lagarta‑do‑sobreiro e da azinheira (Lymantria dispar): desfolha intensa em anos de elevada pressão.
  • Gorgulhos da bolota (Curculio spp.): perfuração e destruição interna do fruto.
  • Processionária‑do‑pinheiro (Thaumetopoea pityocampa): ocasional em azinheiras jovens.
  • Escaravelhos xilófagos (Cerambycidae, Buprestidae): danos em ramos e troncos debilitados.
  • Pulgões e cochonilhas (Aphididae, Coccidae): sucção de seiva e produção de melada.

6. Principais doenças

  • Declínio associado a Phytophthora cinnamomi: necrose radicular, perda de vigor e morte progressiva.
  • Cancros e podridões de tronco (Botryosphaeriaceae): ramos secos e fendas no ritidoma.
  • Oídio (Erysiphe alphitoides): micélio branco nas folhas jovens.
  • Antracnoses (Colletotrichum spp.): manchas foliares e queda prematura de folhas.

7. Gestão cultural geral

A gestão da azinheira integra práticas de conservação do solo, controlo de pastoreio e manutenção da regeneração natural. Recomenda‑se evitar mobilizações profundas e compactação do solo. O pastoreio deve ser controlado para permitir o desenvolvimento de plântulas. A poda deve ser moderada e realizada em períodos secos para reduzir risco de infeções. A monitorização de sintomas de declínio é essencial, especialmente em solos suscetíveis a Phytophthora. A gestão integrada do montado inclui equilíbrio entre árvores, pastagem e carga animal.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Quercus ilex.
  • CABI – Forestry Compendium – Quercus ilex.
  • FAO (2013). State of Mediterranean Forests. FAO & Plan Bleu.
  • Aronson, J., Pereira, J. S., & Pausas, J. G. (Eds.) (2009). Cork Oak Woodlands on the Edge: Ecology, Adaptive Management, and Restoration. Island Press.
  • Plieninger, T., & Wilbrand, C. (2001). Land use, biodiversity conservation, and rural development in the dehesas of Spain. Agroforestry Systems, 51, 23–34.

 

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