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Corylus avellana

1. Identificação e origem

A aveleira (Corylus avellana L.) é uma espécie arbustiva da família Betulaceae, amplamente distribuída na Europa e Ásia Ocidental. É considerada uma das espécies frutícolas mais antigas em uso humano, com registos de consumo de avelãs desde o período pré‑histórico. A domesticação e seleção varietal intensificaram‑se sobretudo na região mediterrânica e na Anatólia, onde a cultura adquiriu grande importância económica.

2. Importância económica

A aveleira é cultivada principalmente para produção de avelã, destinada ao consumo em fresco, indústria de confeitaria, pastelaria e transformação (pasta, óleo, farinha). A Turquia, Itália e Espanha são os principais produtores mundiais. Em Portugal, a cultura tem expressão sobretudo no Norte e Centro, em sistemas tradicionais e algumas plantações modernas. A procura internacional tem aumentado devido ao uso industrial e ao interesse por frutos secos nutricionalmente ricos.

3. Caracterização botânica

A aveleira é um arbusto ou pequena árvore, geralmente com múltiplos troncos, atingindo 3–6 m de altura. As folhas são simples, arredondadas, com margem serrada. A floração é diclina e ocorre no final do inverno: os amentilhos masculinos são pendentes e evidentes, enquanto as flores femininas são pequenas, com estigmas vermelhos. O fruto é uma noz envolvida por uma invólucro foliáceo (involucro ou “cálice”). As cultivares diferenciam‑se pelo vigor, porte, época de floração, formato da avelã e facilidade de destacamento do involucro.

4. Exigências edafoclimáticas

A aveleira adapta‑se bem a climas temperados e húmidos, necessitando de horas de frio para uma floração adequada. É sensível a geadas tardias durante a floração. Prefere solos profundos, frescos, bem drenados e ricos em matéria orgânica, com pH entre 6 e 7. Tolera solos ligeiramente ácidos e apresenta boa resistência a ventos moderados, embora ventos fortes possam afetar a polinização e a frutificação.

5. Principais pragas

  • Gorgulho‑da‑avelã (Curculio nucum): perfuração do fruto e destruição da amêndoa.
  • Ácaros (Eriophyidae, Tetranychidae): deformações foliares e redução da área fotossintética.
  • Pulgões (Aphididae): sucção de seiva e transmissão de viroses.
  • Bichado‑da‑avelã / castanha (Cydia splendana): perfuração interna do fruto e perdas significativas.
  • Percevejos (Pentatomidae): danos no fruto e queda prematura.

6. Principais doenças

  • Cancro‑da‑aveleira (Anisogramma anomala): lesões nos ramos e declínio progressivo (mais relevante na América do Norte).
  • Podridões radiculares (Phytophthora spp.): morte de plantas jovens e declínio em solos mal drenados.
  • Oídio (Erysiphe corylacearum): micélio branco nas folhas, reduzindo vigor.
  • Bacterioses (Pseudomonas spp.): necroses em gomos e ramos jovens.

7. Gestão cultural geral

A gestão inclui a escolha de cultivares adaptadas ao clima local e compatíveis entre si para assegurar polinização cruzada eficaz. A poda visa manter a estrutura em taça ou multicaules, favorecendo a entrada de luz e a renovação dos ramos frutíferos. A fertilização deve ser equilibrada, com atenção ao azoto para evitar excesso vegetativo. O controlo de infestantes é importante nos primeiros anos. A rega suplementar melhora a frutificação em regiões de verões secos. A colheita é realizada quando os frutos se destacam facilmente do involucro.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Corylus avellana.
  • CABI – Crop Factsheets – Hazelnut (Corylus spp.).
  • FAO – FAOSTAT e documentos técnicos sobre frutos secos.
  • Bassi, D., & Guerriero, R. (Eds.) (2020). The Hazelnut Genome. Springer.
  • Molnar, T. J. (2011). Advances in hazelnut science and cultivation. Acta Horticulturae.

 

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