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Os tripes (Thysanoptera), em particular Frankliniella occidentalis e Thrips tabaci, estão entre as pragas mais persistentes em hortícolas e estufas. O seu ciclo biológico acelerado, que varia entre 5 e 20 dias conforme a temperatura, e a elevada capacidade de dispersão fazem do controlo um desafio constante para qualquer agricultor.
Se já experimentou inseticidas convencionais e os resultados ficaram aquém do esperado, não está sozinho. A resistência acumulada ao longo de décadas tornou muitas soluções químicas ineficazes contra os tripes. A boa notícia? A abordagem biológica oferece hoje resultados consistentes e sustentáveis, combinando monitorização ativa, armadilhas cromotrópicas, inseticidas biológicos, organismos auxiliares e boas práticas culturais.
Neste artigo, explicamos como controlar tripes passo a passo, com as ferramentas e estratégias que funcionam no campo.
Antes de controlar tripes, é preciso reconhecê-los e perceber o que fazem. Estes insetos raspam os tecidos vegetais e sugam o conteúdo celular, provocando danos que começam subtis mas se agravam rapidamente.
Os sinais mais comuns incluem prateamento das folhas, deformações nos rebentos, necroses nos tecidos jovens, redução generalizada do vigor da planta e manchas bronzeadas nas flores e frutos. Mas o dano mais grave é invisível a olho nu: os tripes são vetores de vírus devastadores como TSWV, INSV, IYSV, GRSV, TCSV e CaCV, que podem comprometer colheitas inteiras sem possibilidade de recuperação.
Em condições favoráveis, com temperaturas entre 25 e 30 °C, as populações podem multiplicar-se até 10 vezes em apenas duas semanas. É por isso que a deteção precoce é tão importante: quando os danos são visíveis, a infestação já está avançada.
A abordagem biológica não depende de um único produto. É um sistema integrado de ferramentas que, em conjunto, mantêm as populações de tripes abaixo do limiar económico de dano.
As armadilhas cromotrópicas azuis são a primeira linha de defesa. Servem três funções em simultâneo: monitorizar populações e avaliar a pressão da praga, detetar focos iniciais antes de os danos serem visíveis e reduzir o número de adultos em voo.
Estudos em estufas com pressão moderada indicam capturas entre 150 e 300 tripes por semana por armadilha, o que dá uma imagem clara da evolução da infestação. Para uma estufa pequena, 1 a 2 armadilhas são suficientes para monitorização. Em culturas maiores, a recomendação é de 2 a 10 armadilhas por hectare, distribuídas uniformemente.
Os inseticidas biológicos são fundamentais para reduzir populações sem gerar resistência, o calcanhar de Aquiles dos tratamentos químicos convencionais. Cada tipo de produto atua por mecanismos diferentes, o que permite uma rotação eficaz.
| Tipo de produto | Substância ativa | Modo de ação |
|---|---|---|
| Microrg. entomopatogénicos | Beauveria bassiana | Penetração cuticular e colonização interna |
| Metarhizium anisopliae / M. brunneum | Produção de enzimas e toxinas | |
| Nemátodos entomopatogénicos | Steinernema feltiae | Penetração natural e libertação de simbiontes |
| Extratos vegetais | Óleos essenciais | Ação por contacto direto e repelência |
Beauveria bassiana é particularmente eficaz contra larvas jovens: estudos demonstram que populações em plantas tratadas com este fungo são até 70% inferiores às de plantas não tratadas, com picos de mortalidade de 64,8% aos oito dias após a aplicação.
Metarhizium anisopliae funciona em diferentes condições, embora a performance seja melhor acima dos 20 °C. É uma opção complementar que permite rodar substâncias ativas e evitar que a praga desenvolva tolerância.
Os nemátodos Steinernema feltiae são aplicados ao solo, onde atacam as fases pupais dos tripes que completam o seu ciclo no substrato.
As boas práticas culturais não substituem os tratamentos, mas potenciam a sua eficácia e reduzem a pressão da praga antes que os números aumentem. As medidas mais importantes incluem: remover restos vegetais que servem de abrigo, reduzir humidade excessiva junto ao solo, eliminar plantas hospedeiras espontâneas nas margens da cultura, manter ventilação adequada nas estufas e evitar adubações com excesso de azoto, que promovem tecidos mais tenros e atrativos para os tripes.
Auxiliares são organismos benéficos, predadores ou parasitas, que se alimentam de pragas e contribuem para o equilíbrio biológico da cultura. No caso dos tripes, três espécies destacam-se pela eficácia comprovada.

Amblyseius swirskii é um ácaro predador que se alimenta de ovos e larvas jovens dos tripes. Atua melhor em temperaturas entre 20 e 32 °C e é particularmente eficaz na redução de populações nas folhas. Para um controlo completo, deve ser combinado com outros auxiliares.

Orius laevigatus é o predador mais eficaz contra tripes adultos. Esta pequena percevejo generalista é essencial em culturas com floração, como pimento, morango e ornamentais, onde se instala e alimenta ativamente. É a referência para o controlo biológico de Frankliniella occidentalis.

Amblyseius cucumeris complementa o sistema como predador de larvas de primeiro instar, atuando nos estágios iniciais da infestação.
A grande vantagem dos auxiliares é que a sua ação é contínua e compatível com inseticidas biológicos, desde que as substâncias sejam selecionadas criteriosamente. Esta integração aumenta a eficácia global e reduz o risco de resistência.
Combinar monitorização, tratamentos biológicos e gestão cultural num programa estruturado é o que garante resultados consistentes ao longo da campanha. Um programa integrado para controlar tripes inclui seis passos fundamentais:
A chave é a prevenção. Quando a intervenção começa antes de os tripes se multiplicarem exponencialmente, a pressão mantém-se controlável com recursos biológicos, sem necessidade de recorrer a químicos.

Optar pelo controlo biológico não é apenas uma questão ambiental. É uma decisão com impacto direto na qualidade da produção e na sustentabilidade do negócio.
O controlo biológico de tripes é a estratégia mais eficaz e sustentável disponível atualmente. A combinação de armadilhas cromotrópicas para monitorização e captura, inseticidas biológicos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae,auxiliares predadores e boas práticas culturais permite manter as populações abaixo do limiar económico de dano, campanha após campanha.
Na Biosani, encontra armadilhas cromotrópicas, inseticidas biológicos e todos os recursos necessários para implementar um programa de controlo biológico de tripes adaptado à sua cultura. Consulte o nosso catálogo de produtos ou contacte-nos para um aconselhamento personalizado.
Perguntas Frequentes
Os tripes são insetos da ordem Thysanoptera que raspam tecidos vegetais e sugam o conteúdo celular. São difíceis de controlar porque têm um ciclo biológico muito rápido (5 a 20 dias), elevada capacidade de dispersão e desenvolvem facilmente resistência a inseticidas químicos convencionais.
Azul. As armadilhas cromotrópicas azuis são as mais eficazes para atrair e capturar tripes adultos em voo, tanto para monitorização como para redução direta da população.
É mais eficaz contra larvas jovens e pupas. Estudos demonstram reduções populacionais de até 70% em plantas tratadas, com o fungo a completar a penetração cuticular das pupas em aproximadamente 60 horas.
Sim, mas com melhor performance acima dos 20 °C. Em estufas com temperaturas consistentemente abaixo deste valor, é recomendável complementar com outras estratégias biológicas.
Não. Os nemátodos Steinernema feltiae são aplicados ao solo, onde atacam as pupas dos tripes que completam parte do seu ciclo no substrato. São um complemento eficaz aos tratamentos foliares.
Depende da pressão da praga e das condições da cultura. Em muitos cenários, um programa biológico bem implementado é suficiente. Em situações de pressão extrema, pode ser necessário integrar pontualmente outros métodos, mas o objetivo é sempre minimizar a dependência de químicos.
Entre 2 e 10 armadilhas cromotrópicas por hectare, dependendo da pressão da praga e do tipo de cultura. Para estufas pequenas, 1 a 2 armadilhas são geralmente suficientes para monitorização.
Sim, desde que os produtos sejam compatíveis. Os inseticidas biológicos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae são geralmente seguros para auxiliares como Amblyseius swirskii e Orius laevigatus, ao contrário dos inseticidas químicos de largo espetro.
Os produtos fitofarmacêuticos requerem Cartão de Aplicador ou Cartão de Técnico Responsável.
Poderá utilizar o cartão de outra pessoa, desde que a mesma se responsabilize pela aplicação do tratamento.
Consulte aqui a Lei n.º 26/2013 de 11 de abril (Distribuição, venda e aplicação de produtos fitofarmacêuticos).