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Botrytis cinerea

1. Identificação

A podridão‑cinzenta é uma doença fúngica de grande importância económica, afetando culturas agrícolas, ornamentais e florestais. Caracteriza‑se pela formação de um revestimento cinzento‑acastanhado, pulverulento, composto por conidióforos e conídios, que surge sobre flores, folhas, frutos e tecidos senescentes ou feridos. O fungo desenvolve‑se como necrotrófico oportunista, colonizando preferencialmente tecidos debilitados, feridos ou sujeitos a elevada humidade.

2. Agente causal

O género Botrytis foi descrito por Micheli (1729), sendo Botrytis cinerea a espécie mais relevante e amplamente distribuída.

  • Fungo ascomiceto da família Sclerotiniaceae.
  • Produz micélio superficial e interno, conidióforos ramificados e conídios hialinos a acinzentados.
  • Forma esclerócios negros, responsáveis pela sobrevivência em condições adversas.
  • Elevada capacidade de infeção em tecidos feridos, senescentes ou sujeitos a humidade prolongada.
  • Disseminação principalmente por conídios transportados pelo vento, água ou contacto.

3. Hospedeiros principais

  • Videira (Vitis vinifera).
  • Morangueiro (Fragaria × ananassa).
  • Tomateiro (Solanum lycopersicum).
  • Perecíveis hortícolas (alface, feijão, cebola, entre outros).
  • Ornamentais diversas (rosas, gerberas, crisântemos).
  • Espécies florestais e arbustivas em condições de elevada humidade.
  • Tecidos florais e frutos maduros são particularmente suscetíveis.

4. Sintomas

  • Manchas aquosas que evoluem para necroses castanhas.
  • Desenvolvimento de micélio cinzento e massa pulverulenta de conídios sobre tecidos infetados.
  • Murchidão e queda de pétalas, flores e frutos jovens.
  • Podridão mole em frutos, frequentemente com anéis concêntricos de esporulação.
  • Formação de esclerócios negros em tecidos mortos ou restos vegetais.
  • Em pós‑colheita, rápida deterioração de frutos e hortícolas.

5. Ciclo da doença

  • Sobrevivência como esclerócios no solo, restos vegetais ou estruturas de cultivo.
  • Libertação de conídios em condições de elevada humidade e temperaturas moderadas.
  • Infeção através de feridas, estomas ou tecidos senescentes.
  • Desenvolvimento rápido em ambientes húmidos, com produção contínua de conídios.
  • Disseminação por vento, salpicos de água, insetos ou contacto entre plantas.
  • Formação de novos esclerócios no final do ciclo.

6. Condições favoráveis

  • Humidade relativa elevada (superior a 90%).
  • Presença de água livre sobre superfícies vegetais.
  • Temperaturas moderadas (15–22 °C).
  • Densidade elevada de plantas e fraca circulação de ar.
  • Feridas de poda, danos mecânicos ou tecidos senescentes.
  • Ambientes protegidos (estufas) com condensação frequente.

7. Gestão da doença

  • Remoção de tecidos infetados e restos vegetais para reduzir o inóculo.
  • Melhoria da ventilação e redução da humidade através de podas e espaçamento adequado.
  • Evitar molhamento excessivo da folhagem e condensação em estufas.
  • Manuseamento cuidadoso para evitar ferimentos em frutos e flores.
  • Utilização de variedades menos suscetíveis quando disponíveis.
  • Monitorização de condições ambientais críticas e aplicação preventiva de medidas de proteção autorizadas.

Referências bibliográficas

  • Dean, R., Van Kan, J. A. L., Pretorius, Z. A., et al. (2012). The Top 10 fungal pathogens in molecular plant pathology. Molecular Plant Pathology, 13, 414–430.
  • Veloso, J., & van Kan, J. A. L. (2018). Many shades of grey in Botrytis–plant interactions. Trends in Plant Science, 23, 613–622.
  • Williamson, B., Tudzynski, B., Tudzynski, P., & van Kan, J. A. L. (2007). Botrytis cinerea: the cause of grey mould disease. Molecular Plant Pathology, 8, 561–580.
  • Fillinger, S., & Elad, Y. (2016). Botrytis – the Fungus, the Pathogen and its Management in Agricultural Systems. Springer.
  • van Kan, J. A. L. (2006). Licensed to kill: the lifestyle of a necrotrophic plant pathogen. Trends in Plant Science, 11, 247–253.

 

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