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Secale cereale

1. Identificação e origem

O centeio (Secale cereale L.) é uma gramínea anual da família Poaceae, originária das regiões temperadas da Eurásia. Desenvolveu‑se como cultura adaptada a solos pobres e climas frios, sendo tradicionalmente cultivado em zonas montanhosas e regiões de baixa fertilidade. É uma das principais culturas cerealíferas da Europa Central e do Norte.

2. Importância económica

O centeio é utilizado na produção de pão, farinhas especiais, bebidas fermentadas e forragens. É valorizado pela sua rusticidade, tolerância ao frio e capacidade de produzir em solos ácidos e arenosos. Tem importância crescente em sistemas agrícolas sustentáveis, incluindo rotações, cobertura do solo e produção biológica.

3. Caracterização botânica

Planta anual de porte ereto, com colmos ocos e folhas lineares.
A inflorescência é uma espiga longa e estreita, com espiguetas alternadas.
Os grãos são alongados, de coloração castanha‑acinzentada.
O sistema radicular é profundo e vigoroso, conferindo elevada tolerância à seca e ao frio.

4. Exigências edafoclimáticas

Prefere climas temperados frios, sendo o cereal de inverno mais resistente ao frio.
Desenvolve‑se bem em solos pobres, arenosos, ácidos ou de baixa fertilidade, onde outros cereais apresentam menor desempenho.
Tolera pH baixo (até 5,0) e condições de seca moderada.
É sensível ao encharcamento e beneficia de boa drenagem.

5. Principais pragas

  • Pulgões (Aphididae): sucção de seiva e transmissão de viroses.
  • Mosca‑de‑Hessian (Mayetiola destructor): danos nos colmos e redução de produtividade.
  • Lagartas (Lepidoptera): desfolha parcial.
  • Nemátodos (Heterodera avenae): redução de vigor e desenvolvimento radicular.
  • Insetos do solo (Elateridae): danos em plântulas.

6. Principais doenças

  • Ferrugem‑parda (Puccinia recondita): pústulas foliares e perda de rendimento.
  • Ferrugem‑negra (Puccinia graminis): necroses e quebra de colmos.
  • Oídio (Blumeria graminis): micélio branco em folhas jovens.
  • Esclerotínia do centeio (Claviceps purpurea): formação de esclerócios tóxicos (ergotismo).
  • Mancha foliar (Rhynchosporium secalis): lesões foliares e redução de área fotossintética.

7. Gestão cultural geral

A gestão inclui escolha de variedades adaptadas, sementeira em época adequada, densidade equilibrada e fertilização moderada.
A rotação de culturas reduz a pressão de doenças do solo e de ferrugens.
A monitorização de pulgões e oídio é essencial em fases iniciais.
O controlo de Claviceps purpurea exige práticas preventivas, incluindo rotação, limpeza de bordaduras e utilização de semente certificada.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Secale cereale.
  • CABI Crop Compendium – Secale cereale.
  • Shewry, P. R. (2002). Rye: Genetics, Breeding and Cultivation. CABI Publishing.
  • Belderok, B., Mesdag, J., & Donner, D. A. (2000). Bread-Making Quality of Wheat and Rye. Springer.
  • Oelke, E. A. et al. (1990). Rye. University of Minnesota Extension.

 

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