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Phoenix dactylifera

1. Identificação e origem

A tamareira (Phoenix dactylifera L.) é uma palmeira perene da família Arecaceae, cultivada principalmente pelos seus frutos (tâmaras). A espécie é originária da região do Crescente Fértil e da Península Arábica, sendo uma das plantas cultivadas mais antigas do mundo, com registos de domesticação superiores a 5 000 anos. É amplamente cultivada em zonas áridas e semiáridas do Norte de África, Médio Oriente e Ásia Meridional.

2. Importância económica

A tamareira é uma cultura estratégica em regiões áridas, fornecendo alimento, rendimento económico e produtos secundários (folhas, fibras, madeira). As tâmaras são consumidas frescas ou secas e utilizadas na indústria alimentar, confeitaria e produção de xaropes. A cultura tem ainda importância social e ecológica, contribuindo para a estabilização de oásis e para a agricultura tradicional em zonas desérticas. Em alguns países mediterrânicos, incluindo Portugal (sobretudo Algarve), é cultivada como espécie ornamental.

3. Caracterização botânica

A tamareira é uma palmeira dióica, com tronco único ou múltiplo, podendo atingir 15–25 m de altura. As folhas são pinadas, com 3–5 m de comprimento, formando uma copa densa. As inflorescências são grandes espádices protegidos por espatas lenhosas; as plantas masculinas produzem pólen abundante e as femininas originam cachos de frutos. As tâmaras são drupas alongadas, com polpa açucarada e uma única semente. O sistema radicular é fasciculado, profundo e altamente tolerante à salinidade e à seca.

4. Exigências edafoclimáticas

A tamareira adapta-se a climas áridos e semiáridos, com verões muito quentes (ótimo acima de 35 °C) e invernos suaves. Tolera temperaturas elevadas e baixa precipitação, desde que exista disponibilidade hídrica no solo. Prefere solos profundos, bem drenados, de textura média a arenosa, tolerando salinidade moderada. O pH ideal situa-se entre 7,0 e 8,5. A frutificação exige polinização manual em sistemas comerciais e acumulação térmica elevada.

5. Principais pragas

  • Escaravelho‑da‑palmeira (Rhynchophorus ferrugineus) — perfurações extensas no estipe, destruição do meristema e morte da palmeira
  • Traça‑da‑palmeira (Paysandisia archon) — galerias no estipe e bases foliares, provocando declínio progressivo
  • Cochonilhas (Parlatoria blanchardi, Phoenicococcus marlatti) — sucção de seiva e enfraquecimento da copa
  • Ácaros (Oligonychus afrasiaticus) — danos em folhas e frutos, reduzindo a qualidade das tâmaras
  • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata) — perfurações e deterioração dos frutos maduros

6. Principais doenças

  • Murchidão da tamareira (Fusarium oxysporum f. sp. albedinis) — doença letal, causando murchidão vascular e morte; altamente destrutiva no Norte de África
  • Podridões do estipe (Thielaviopsis paradoxa) — necroses internas e colapso estrutural
  • Antracnose (Colletotrichum spp.) — manchas foliares e necroses em folíolos
  • Podridões radiculares (Phytophthora spp.) — declínio e morte em solos mal drenados
  • Mancha foliar (Graphiola phoenicis) — lesões foliares com esporulação característica (“ferrugem das palmeiras”)

7. Gestão cultural geral

A gestão da tamareira baseia-se na seleção de cultivares adaptados ao clima local, na manutenção de boa drenagem e na irrigação controlada em regiões áridas. A polinização manual é prática comum para assegurar produtividade e qualidade dos frutos. O controlo do escaravelho‑da‑palmeira e da traça‑da‑palmeira é prioritário, exigindo monitorização contínua e medidas preventivas rigorosas. A remoção de folhas secas e a higiene cultural reduzem a pressão de pragas e doenças. A colheita é realizada em várias passagens, consoante o estádio de maturação desejado (fase intermédia – rutab – ou fase final – tamar).


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Phoenix dactylifera
  • CABI – Crop Protection Compendium – Phoenix dactylifera
  • Al‑Khayri, J. M., et al. (2015). Date palm genetic resources and utilization. Springer.
  • Johnson, D. V., et al. (2013). Date Palm Biotechnology. Springer.
  • El‑Hadrami, A., & Al‑Khayri, J. M. (2012). Socioeconomic and traditional importance of date palm. Emirates Journal of Food and Agriculture, 24, 371–385.

 

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