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Colocasia spp., Dioscorea spp., Alocasia spp. e Xanthosoma spp.

1. Identificação e origem

O termo “inhame” ou “taro” é utilizado para designar várias espécies de plantas tropicais produtoras de rizomas ou tubérculos comestíveis. As principais pertencem aos géneros Colocasia, Alocasia e Xanthosoma (família Araceae), bem como ao género Dioscorea (família Dioscoreaceae).

  • Colocasia esculenta (L.) Schott (taro verdadeiro) é originário do Sudeste Asiático e Pacífico.
  • Xanthosoma spp. e Alocasia spp. têm origem na América Tropical e no Sudeste Asiático.
  • Dioscorea spp. (inhames verdadeiros) são originários de África, Ásia e América Tropical.

Estas culturas são amplamente cultivadas em regiões tropicais e subtropicais para alimentação humana e animal.

2. Importância económica

Os rizomas e tubérculos são consumidos cozidos, assados ou transformados em farinhas, purés e produtos tradicionais. Em muitas regiões tropicais constituem culturas de subsistência essenciais. Países como Nigéria, Gana, Costa do Marfim, China, Filipinas e ilhas do Pacífico são grandes produtores. O interesse comercial tem aumentado devido ao valor nutricional e à tolerância a solos pobres e elevada humidade.

3. Caracterização botânica

Apesar da diversidade de géneros, apresentam características comuns:

  • Araceae (Colocasia, Alocasia, Xanthosoma): plantas herbáceas perenes, com folhas grandes, cordiformes ou sagitadas, rizomas ou cormos ricos em amido e inflorescência típica em espádice.
  • Dioscoreaceae (Dioscorea): trepadeiras herbáceas com caules volúveis, folhas opostas ou alternas e tubérculos subterrâneos ricos em amido.

Os órgãos de reserva variam entre rizomas (taro), cormos (algumas Alocasia) e tubérculos (inhames Dioscorea).

4. Exigências edafoclimáticas

São culturas de clima tropical húmido, com temperaturas ideais entre 20–30 °C.

  • Colocasia e Xanthosoma preferem solos húmidos ou mesmo encharcados (taro de várzea).
  • Dioscorea exige solos bem drenados e arejados, evitando encharcamento.
  • Alocasia tolera sombra parcial e solos ricos em matéria orgânica.

O pH ideal situa‑se entre 5,5 e 7,0. A produção é favorecida por elevada humidade e precipitação regular.

5. Principais pragas

  • Escaravelhos‑do‑solo (Coleoptera): perfurações em rizomas e tubérculos.
  • Afídeos (Aphis gossypii, Myzus persicae): sucção de seiva e transmissão de vírus.
  • Ácaros (Tetranychus spp.): cloroses e redução do vigor.
  • Nemátodos (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp.): galhas radiculares, necroses e podridões.
  • Lagartas desfolhadoras (Lepidoptera): redução da área foliar.

6. Principais doenças

  • Mancha‑das‑folhas‑do‑taro / queima‑das‑folhas‑do‑taro (Phytophthora colocasiae): doença mais grave em Colocasia, causando necroses extensas nas folhas, rápida desidratação e morte de tecidos.
  • Podridões radiculares (Pythium spp., Phytophthora spp.): comuns em solos encharcados, provocando murchidão e apodrecimento dos órgãos subterrâneos.
  • Podridões moles bacterianas (Erwinia spp.): apodrecimento rápido em condições húmidas e quentes.
  • Vírus (Taro bacilliform virus, Dasheen mosaic virus): mosaicos, deformações foliares, redução do vigor e da produção.
  • Antracnose (Colletotrichum spp.): manchas foliares, necroses e queda prematura das folhas.

7. Gestão cultural geral

Inclui a escolha de espécies e variedades adaptadas ao clima local, plantação em solos adequados ao género (húmidos para Colocasia, drenados para Dioscorea), utilização de material de propagação saudável, controlo da humidade excessiva, rotação de culturas para reduzir nemátodos e fungos, adubação equilibrada e monitorização de pragas e doenças. A colheita deve ser realizada quando os órgãos de reserva atingem o tamanho comercial e as folhas começam a amarelecer.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Colocasia esculenta, Dioscorea spp. – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Colocasia, Dioscorea, Xanthosoma – datasheets.
  • Lebot, V. (2009). Tropical root and tuber crops. In: Crop Production Science in Horticulture. CABI.
  • Ramanatha Rao, V., et al. (2010). Taro genetic resources. In: Kole, C. (Ed.), Wild Crop Relatives. Springer.
  • Coursey, D. G. (1967). Yams. In: The Tropical Agriculturalist. Longman.

 

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