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Panicum miliaceum

1. Identificação e origem

O painço (Panicum miliaceum L.) é uma gramínea anual da família Poaceae, considerada uma das mais antigas culturas cerealíferas domesticadas. A sua origem situa‑se na Ásia Central, particularmente nas regiões da China e Mongólia, de onde se difundiu para a Europa e Médio Oriente. É tradicionalmente cultivado em zonas semiáridas devido à sua elevada tolerância à seca.

2. Importância económica

O painço é utilizado sobretudo para alimentação animal (aves, suínos e ruminantes), embora também tenha aplicações na alimentação humana em algumas regiões da Ásia e Europa de Leste. Destaca‑se pela sua rusticidade, ciclo curto e capacidade de produção em condições edafoclimáticas limitantes. Em sistemas agrícolas de sequeiro, constitui uma alternativa viável para diversificação de rotações e produção de grão em ambientes secos.

3. Caracterização botânica

Planta anual de porte médio, com 0,5–1,5 m de altura, apresentando colmos eretos e folhas lineares. A inflorescência é uma panícula aberta ou mais compacta, dependendo da cultivar. Os grãos são pequenos, esféricos ou ovais, variando de branco a amarelo‑dourado. O sistema radicular é relativamente profundo, conferindo boa tolerância ao stress hídrico. O ciclo cultural é curto, variando entre 60 e 90 dias.

4. Exigências edafoclimáticas

O painço adapta‑se bem a climas quentes e secos, sendo uma das culturas cerealíferas mais tolerantes à seca. Prefere temperaturas entre 20–30 °C e solos bem drenados, de textura franca a franco‑arenosa. Tolera solos pobres, mas responde positivamente à fertilização equilibrada. O pH ideal situa‑se entre 5,5 e 7,5. É sensível ao encharcamento e à competição de infestantes nas fases iniciais.

5. Principais pragas

  • Pulgões (Aphididae): sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Lagartas desfolhadoras (Noctuidae): redução da área foliar
  • Gafanhotos (Acrididae): desfolha intensa em condições de surtos
  • Percevejos sugadores (Pentatomidae): danos em panículas e grãos
  • Tripes (Thysanoptera): lesões foliares e redução da fotossíntese

6. Principais doenças

  • Míldio (Sclerospora graminicola): cloroses e deformações foliares
  • Ferrugem (Puccinia substriata): pústulas e redução da produtividade
  • Carvão (Sporisorium destruens): substituição dos grãos por massas escuras
  • Helmintosporiose (Bipolaris spp.): manchas foliares e necroses
  • Podridões radiculares associadas a solos encharcados

7. Gestão cultural geral

A gestão do painço inclui a escolha de cultivares adaptadas ao ciclo pretendido e às condições locais. A sementeira deve ser realizada em solo bem preparado, garantindo boa emergência e reduzindo a competição de infestantes. A fertilização deve ser equilibrada, com atenção ao azoto e ao fósforo. O controlo de infestantes é crítico nas primeiras semanas. A colheita ocorre quando os grãos atingem maturação fisiológica e apresentam baixa humidade, evitando perdas por debulha natural.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Panicum spp.
  • CABI – Crop Protection Compendium – Panicum miliaceum
  • Baltensperger, D. D. (2002). Proso Millet. In: Warm‑Season Cereal Grains. ASA‑CSSA.
  • Habiyaremye, C., et al. (2017). Proso millet agronomy and potential. Agronomy Journal.
  • Seetharam, A., Riley, K. W., Harinarayana, G. (2022). Small Millets: Advances in Breeding and Management. Springer.
  • FAO (2021). Millets and Small Grains Production Manual.
  • Taylor, J. R. N., Duodu, K. G. (2019). Sorghum and Millets: Chemistry, Technology and Nutritional Attributes. AACC International.

 

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