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Tamarindus indica

1. Identificação e origem

O tamarindeiro (Tamarindus indica L.) é uma espécie arbórea perene da família Fabaceae, subfamília Caesalpinioideae, cultivada principalmente pelos seus frutos (tâmaras de tamarindo), utilizados na alimentação e na indústria alimentar. A espécie é nativa das regiões tropicais secas de África, embora tenha sido amplamente difundida e naturalizada no Sul da Ásia há vários séculos. Atualmente é cultivada em zonas tropicais e subtropicais de África, Ásia, América Latina e Caraíbas.

2. Importância económica

O tamarindeiro é valorizado pelos seus frutos, utilizados como condimento, acidulante natural, ingrediente culinário e matéria‑prima para bebidas, molhos e produtos industriais. A polpa é rica em ácidos orgânicos, açúcares e compostos bioativos. As sementes têm aplicações na indústria alimentar e farmacêutica (gomas e espessantes). A madeira é resistente e utilizada em carpintaria. A árvore é ainda importante como espécie de sombra e para sistemas agroflorestais em regiões áridas.

3. Caracterização botânica

O tamarindeiro é uma árvore de grande porte, atingindo 12–20 m de altura, com copa ampla e densa. As folhas são compostas, paripinadas, com numerosos folíolos pequenos e oblongos. As flores são pequenas, amarelas a rosadas, agrupadas em racimos. Os frutos são vagens indeiscentes, castanhas, contendo polpa pegajosa e ácida que envolve 1–12 sementes duras. O sistema radicular é profundo e bem desenvolvido, conferindo elevada tolerância à seca.

4. Exigências edafoclimáticas

O tamarindeiro adapta-se a climas tropicais e subtropicais secos, com temperaturas ótimas entre 25 e 35 °C. Tolera longos períodos de seca e precipitações irregulares, mas beneficia de alguma humidade no solo durante a frutificação. Prefere solos profundos, bem drenados, de textura média a arenosa, tolerando pH entre 5,5 e 8,0. É sensível ao encharcamento e a geadas. A produção é favorecida por exposição solar plena.

5. Principais pragas

  • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata, Bactrocera dorsalis em regiões tropicais) — perfurações e deterioração dos frutos
  • Cochonilhas (Parlatoria spp., Aonidiella spp.) — sucção de seiva e enfraquecimento da copa
  • Pulgões (Aphis craccivora) — sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Brocas do tronco (Indarbela quadrinotata, em regiões asiáticas) — galerias e declínio vegetativo
  • Lagartas (Spodoptera litura, Euproctis fraterna) — danos foliares

6. Principais doenças

  • Podridões radiculares (Phytophthora spp., Fusarium spp.) — declínio e morte em solos mal drenados
  • Mancha foliar (Colletotrichum spp., Pestalotiopsis spp.) — necroses foliares e desfolha parcial
  • Cancros do tronco (Botryosphaeria spp.) — fendas, exsudação e morte de ramos
  • Oídio (Oidium spp.) — revestimento branco e redução da fotossíntese

7. Gestão cultural geral

A gestão do tamarindeiro baseia-se na instalação em solos bem drenados e na seleção de plantas enxertadas ou de origem controlada. A poda de formação e limpeza melhora a penetração de luz e reduz a pressão de pragas. A irrigação suplementar durante a floração e frutificação aumenta o rendimento. A monitorização de mosca‑da‑fruta é essencial em regiões mediterrânicas e tropicais. A remoção de frutos caídos e a higiene cultural reduzem a incidência de pragas e doenças. A colheita é realizada quando as vagens atingem maturação fisiológica e a polpa apresenta textura firme e sabor característico.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Tamarindus indica
  • CABI – Crop Protection Compendium – Tamarindus indica
  • El‑Siddig, K., et al. (2006). Tamarindus indica: Botany, Production and Uses. CABI.
  • Morton, J. (1987). Tamarind. Fruits of Warm Climates, 115–121.
  • Singh, G., & Kaur, A. (2018). Tamarind biology and utilization. Journal of Food Science and Technology, 55, 3378–3389.

 

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