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    Musa spp.

    1. Identificação e origem

    As bananeiras pertencem ao género Musa., família Musaceae, que inclui espécies produtoras de bananas de mesa e bananas de cozer. As principais espécies selvagens que deram origem às variedades cultivadas são Musa acuminata Colla e Musa balbisiana Colla. A domesticação ocorreu no Sudeste Asiático há cerca de 7 000 anos, com posterior dispersão para a Ásia tropical, Pacífico, África Oriental e, mais tarde, América tropical.

    2. Importância económica

    A banana é um dos frutos mais consumidos no mundo e uma das culturas tropicais de maior valor económico. É fundamental para a segurança alimentar em muitos países tropicais e constitui uma importante cultura de exportação (sobretudo cultivares do grupo Cavendish). Em Portugal continental não existe produção comercial significativa, mas a banana é relevante na Madeira, onde se cultivam principalmente cultivares do grupo AAB.

    3. Caracterização botânica

    As bananeiras são plantas herbáceas gigantes, com pseudocaule formado pela sobreposição das bainhas foliares. O verdadeiro caule é um rizoma subterrâneo. As folhas são grandes, espiraladas, podendo atingir vários metros de comprimento. A inflorescência emerge do pseudocaule e apresenta flores femininas na parte superior e masculinas na extremidade distal. O fruto é uma baga, geralmente partenocárpica nas cultivares comerciais. Os grupos genómicos (AA, AAA, AAB, ABB e suas variações) refletem a proporção genética de M. acuminata e M. balbisiana.

    4. Exigências edafoclimáticas

    As bananeiras requerem clima tropical ou subtropical húmido, com temperaturas ideais entre 26–30 °C. São sensíveis ao frio e ao vento forte. Necessitam de elevada disponibilidade hídrica e solos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e com pH entre 5,5 e 7,0. O stress hídrico reduz significativamente o desenvolvimento do pseudocaule e o calibre dos frutos.

    5. Principais pragas

    • Gorgulho‑da‑bananeira (Cosmopolites sordidus): perfuração do rizoma e redução do vigor.
    • Nemátodos (Radopholus similis, Pratylenchus spp.): danos radiculares e queda de plantas.
    • Tripes (Thrips spp.): manchas e cicatrizes nos frutos.
    • Ácaros (Tetranychidae): descoloração e redução da área fotossintética.
    • Mosca‑da‑fruta (Tephritidae): danos em frutos maduros em sistemas não comerciais.

    6. Principais doenças

    • Doença de Panamá (murchidão por Fusarium oxysporum f. sp. cubense): uma das doenças mais destrutivas, com destaque para a estirpe TR4.
    • Sigatoka‑negra (Pseudocercospora fijiensis): necroses foliares severas e perda de produtividade.
    • Sigatoka‑amarela (Pseudocercospora musae): comum em climas húmidos.
    • Moko (Ralstonia solanacearum): murchidão bacteriana.
    • Vírus do mosaico da banana (Banana bunchy top virus): deformações foliares e nanismo.

    7. Gestão cultural geral

    A gestão inclui seleção de cultivares adaptadas ao clima local, utilização de material vegetativo certificado, controlo rigoroso de pragas do solo, fertilização equilibrada e rega regular. A desfolha sanitária reduz a pressão de Sigatoka. O tutoramento pode ser necessário em plantas com cachos pesados. A colheita é realizada quando os frutos atingem o estádio de maturação fisiológica adequado ao destino comercial.


    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database – Musa spp..
    • CABI – Crop Compendium – Musa spp..
    • FAO (2023). FAOSTAT – Banana and Plantain Production Statistics. FAO.
    • D’Hont, A. et al. (2012). The banana (Musa acuminata) genome and the evolution of monocotyledonous plants. Nature, 488, 213–217.
    • Brown, A. et al. (2017). Bananas and Plantains (Musa spp.). In: Genetic Improvement of Tropical Crops. Springer.

     

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