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Raffaelea spp. e Ophiostoma spp.

1. Identificação

A morte‑súbita‑do‑sobreiro é uma doença vascular grave que afeta sobretudo o sobreiro (Quercus suber) e, em menor grau, outras espécies de Quercus. Caracteriza‑se por um declínio rápido da copa, murchidão, necrose interna dos tecidos condutores e morte súbita de ramos ou da árvore inteira. A doença está associada a fungos vasculares dos géneros Raffaelea e Ophiostoma, frequentemente transmitidos por insetos perfuradores da madeira (nomeadamente escolitídeos).

2. Agente causal

Fungos ascomicetos dos géneros Raffaelea spp. (Arx & Hennebert em 1965) e Ophiostoma spp. (Nannfeldt em 1932), ambos conhecidos por colonizar o xilema e provocar obstrução dos vasos condutores.

  • Características gerais: incluem a produção de micélio e estruturas conidiais adaptadas à disseminação por insetos xilófagos, a capacidade de induzir tintas vasculares, necroses e bloqueio do fluxo de seiva, bem como uma forte associação com escolitídeos, que atuam como vetores biológicos.
  • Espécies mais referidas: destacam‑se Raffaelea quercivora, Raffaelea montetyi, Ophiostoma quercus e várias outras espécies do complexo Ophiostoma associadas a doenças vasculares em Quercus.

3. Hospedeiros principais

  • Sobreiro (Quercus suber) – principal hospedeiro afetado
  • Azinheira (Quercus ilex) – suscetibilidade variável
  • Outras espécies de Quercus podem ser afetadas em menor grau
  • Árvores debilitadas por seca, pragas ou stress ambiental apresentam maior risco

4. Sintomas

  • Copa: caracteriza‑se por murchidão súbita dos ramos, amarelecimento e queda prematura das folhas, evoluindo rapidamente para um declínio generalizado que pode culminar na morte total da árvore.
  • Ramos e tronco: apresentam necroses internas no xilema e galerias provocadas por insetos perfuradores, podendo ainda ocorrer exsudação de seiva ou o aparecimento de manchas escuras na casca.
  • Madeira: evidencia descoloração vascular em tons acastanhados ou azulados, obstrução dos vasos condutores e estrias longitudinais escuras ao longo do lenho.
  • Outros sinais: incluem perfurações típicas de escolitídeos e a presença de serrim fino (frass) acumulado na base do tronco ou depositado nas fendas da casca.

5. Ciclo da doença

  • Os fungos sobrevivem no interior da madeira infetada e em insetos vetores
  • Insetos perfuradores colonizam árvores debilitadas e transportam os fungos para novos hospedeiros
  • A inoculação ocorre quando os insetos perfuram o xilema
  • O fungo multiplica‑se nos vasos, bloqueando o fluxo de água
  • A progressão pode ser rápida, levando à morte súbita de ramos ou da árvore
  • Árvores mortas ou em declínio servem como reservatório para novas gerações de insetos

6. Condições favoráveis

  • Stress hídrico prolongado (seca)
  • Altas temperaturas e verões severos
  • Árvores enfraquecidas por descortiçamento excessivo ou má gestão
  • Elevada presença de escolitídeos e outros insetos perfuradores
  • Madeira morta ou restos lenhosos que favorecem a reprodução dos vetores
  • Solos pobres ou compactados que reduzem a vitalidade da árvore

7. Gestão da doença

  • Culturais: incluem a remoção e destruição de árvores muito afetadas para reduzir fontes de inóculo, a eliminação de madeira morta e restos lenhosos que favorecem os vetores, evitar descortiçamentos em árvores debilitadas, reduzir o stress hídrico através de uma gestão adequada do solo e da vegetação concorrente e promover boas práticas silvícolas que aumentem a vitalidade do montado.
  • Gestão de vetores: baseia‑se na monitorização de escolitídeos, utilização de armadilhas atrativas quando recomendado e redução de focos de reprodução como madeira morta ou troncos caídos, que funcionam como locais de desenvolvimento das populações de insetos.
  • Prevenção: envolve evitar ferimentos no tronco, manter densidades adequadas para reduzir a competição entre árvores e melhorar a resiliência do montado através de práticas de conservação do solo e de manutenção da vitalidade geral das árvores.

Nota: Não existem tratamentos curativos eficazes para árvores já severamente infetadas; a gestão baseia‑se na prevenção, redução de vetores e melhoria da vitalidade do montado.


Referências bibliográficas

  • EPPO – Diagnostic Protocols for Ophiostoma and related vascular fungi
  • FAO – Guidelines for Integrated Forest Pest Management
  • Agrios, G. N. (2005). Plant Pathology. Elsevier
  • European Forest Institute – Relatórios sobre declínio de Quercus

 

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