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Ribes uva‑crispa

1. Identificação e origem

A groselheira‑espinhosa (Ribes uva‑crispa L.), pertencente à família Grossulariaceae, é uma espécie arbustiva originária da Europa e Ásia Ocidental. Encontra‑se amplamente cultivada em regiões temperadas, sobretudo no Norte da Europa, onde é valorizada pela produção de bagas ácidas utilizadas em consumo fresco e transformação. O género Ribes inclui também groselhas vermelhas e pretas, mas R. uva‑crispa distingue‑se pelos frutos maiores e presença de espinhos.

2. Importância económica

A cultura é relevante em horticultura de clima temperado, com produção destinada a consumo fresco, compotas, geleias, pastelaria e indústria. Países como Alemanha, Reino Unido, Holanda e Polónia são grandes produtores. Em Portugal, a cultura é possível em regiões de clima fresco, sobretudo no Norte e zonas serranas.

3. Caracterização botânica

Arbusto caducifólio, de 0,8–1,5 m de altura, com ramos arqueados e espinhos robustos. As folhas são palmadas, com 3–5 lóbulos. As flores são pequenas, esverdeadas ou rosadas, solitárias ou em pequenos cachos. Os frutos são bagas globosas, lisas ou pilosas, de cor verde, amarela, vermelha ou púrpura, dependendo da cultivar. O sistema radicular é superficial, sensível ao stress hídrico.

4. Exigências edafoclimáticas

Prefere climas temperados frescos, com invernos frios e verões moderados. É sensível a temperaturas elevadas e à insolação excessiva, que podem causar escaldão dos frutos. Exige solos férteis, bem drenados, ricos em matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 6,8. Tolera alguma sombra parcial, sendo recomendada em regiões quentes.

5. Principais pragas

  • Afídeos (Aphis grossulariae, Cryptomyzus ribis): enrolamento foliar e redução do vigor.
  • Ácaros (Cecidophyopsis ribis): deformações e redução da frutificação.
  • Mosca‑serra (Nematus ribesii): desfolha intensa por larvas.
  • Tripes (Frankliniella spp.): danos em folhas jovens e frutos.
  • Nemátodos (Meloidogyne spp.): galhas radiculares e declínio da planta.

6. Principais doenças

  • Oídio‑americano (Podosphaera mors‑uvae): doença mais grave da cultura, causando revestimento branco, deformações e rachaduras nos frutos.
  • Antracnose (Drepanopeziza ribis): manchas foliares e queda prematura das folhas.
  • Ferrugem (Cronartium ribicola): pústulas alaranjadas nas folhas; relevante em zonas com pinheiros suscetíveis.
  • Podridão-cinzenta (Botrytis cinerea): podridões em condições húmidas.
  • Cancros lenhosos (fungos oportunistas): morte de ramos e redução da produção.

7. Gestão cultural geral

Inclui a escolha de cultivares resistentes ao oídio, plantação em locais frescos e parcialmente sombreados, poda anual para renovação de ramos e arejamento da copa, rega regular sem encharcamento, adubação equilibrada e monitorização de pragas e doenças. A remoção de ramos velhos e a manutenção de boa circulação de ar são essenciais para reduzir o oídio. A colheita deve ser feita quando os frutos atingem a cor e firmeza características da cultivar.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Ribes uva‑crispa – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Ribes uva‑crispa – datasheets.
  • Brennan, R. (2008). Currants and gooseberries. In: Hancock, J. F. (Ed.), Temperate Fruit Crop Breeding. Springer.
  • Anderson, N., et al. (2015). Gooseberry production and cultivar selection. In: Pritts, M., et al. (Eds.), Berry Crops. CABI.
  • Dale, A., & Daubeny, H. (1993). Ribes species. In: Moore, J. N., & Ballington, J. R. (Eds.), Genetic Resources of Temperate Fruit and Nut Crops. ISHS.

 

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