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Humulus lupulus

1. Identificação e origem

O lúpulo (Humulus lupulus L.), pertencente à família Cannabaceae, é uma planta trepadeira perene originária da Europa, Ásia ocidental e América do Norte. É cultivado há vários séculos, sobretudo para utilização das suas inflorescências femininas (cones), essenciais na indústria cervejeira devido às suas propriedades aromáticas, amargas e conservantes.

2. Importância económica

O lúpulo é uma cultura estratégica para a produção de cerveja, fornecendo compostos amargos (α‑ácidos), aromas voláteis e propriedades antimicrobianas. Os cones são utilizados frescos, secos ou processados em pellets e extratos. Os principais produtores incluem Estados Unidos, Alemanha, República Checa, Eslovénia e China. Existe também crescente interesse na utilização do lúpulo em fitoterapia e cosmética devido às suas propriedades sedativas e antioxidantes.

3. Caracterização botânica

Planta trepadeira vigorosa, com caules volúveis que podem atingir 6–10 m de comprimento. As folhas são opostas, palmadas, com 3–5 lóbulos e margem serrada. A espécie é dióica, com plantas masculinas e femininas separadas; apenas as femininas produzem os cones utilizados comercialmente. Os cones são inflorescências compostas, contendo glândulas de lupulina ricas em resinas e óleos essenciais. O sistema radicular é profundo e rizomatoso, permitindo rebrote anual.

4. Exigências edafoclimáticas

Prefere climas temperados frescos, com verões longos e luminosos. Exige solos profundos, férteis, bem drenados, com pH entre 6,0 e 7,5. É sensível ao encharcamento e beneficia de rega regular durante o crescimento vegetativo. A cultura requer estruturas de suporte (tutores) e boa exposição solar para maximizar a produção de cones.

5. Principais pragas

  • Pulgão‑do‑lúpulo (Phorodon humuli): sucção de seiva e transmissão de viroses.
  • Ácaros (Tetranychus urticae): cloroses e teias finas em condições secas.
  • Lagartas (Noctuidae): desfolha e danos em inflorescências.
  • Mosca‑branca (Trialeurodes vaporariorum): melada e fumagina.
  • Nemátodos (Pratylenchus spp., Meloidogyne spp.): lesões radiculares e declínio da planta.

6. Principais doenças

  • Míldio (Pseudoperonospora humuli): uma das doenças mais graves, causando necroses, deformações e perda de cones.
  • Oídio (Podosphaera macularis): revestimento branco em folhas e cones, afetando qualidade e produção.
  • Podridões radiculares (Phytophthora spp.): murchidão e morte de plantas em solos encharcados.
  • Verticiliose (Verticillium albo‑atrum): murchidão vascular e declínio progressivo.
  • Podridão-cinzenta (Botrytis cinerea): podridões em cones, sobretudo em condições húmidas.

7. Gestão cultural geral

Inclui a escolha de cultivares adaptados ao clima local, instalação de suportes verticais, condução e poda dos caules, rega regular sem encharcamento, adubação equilibrada e monitorização rigorosa de míldio, oídio e pulgão‑do‑lúpulo. A rotação de culturas e a melhoria da drenagem reduzem a incidência de doenças de solo. A colheita deve ser realizada quando os cones apresentam textura seca e aroma intenso.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database. Humulus lupulus – pests and diseases.
  • CABI Invasive Species Compendium. Humulus lupulus – datasheets.
  • Neve, R. A. (1991). Hops. Chapman & Hall.
  • Beatson, R. A., et al. (2019). Hop breeding and genetics. In: Kole, C. (Ed.), The Hops Genome. Springer.
  • Hieronymus, S. (2012). For the Love of Hops: The Practical Guide to Aroma, Bitterness and the Culture of Hops. Brewers Publications.

 

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