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Punica granatum

1. Identificação e origem

A romãzeira (Punica granatum L.) é uma espécie arbustiva ou arbórea de pequeno porte pertencente à família Lythraceae. É cultivada principalmente pelos seus frutos (romãs), apreciados tanto para consumo fresco como para processamento. A espécie tem origem na região que se estende do Irão ao Norte da Índia, tendo sido difundida desde a Antiguidade por toda a bacia mediterrânica, onde se adaptou de forma excelente a climas quentes e secos.

2. Importância económica

A romãzeira possui crescente relevância económica devido à valorização dos seus frutos no mercado fresco e na indústria de sumos, xaropes, extratos antioxidantes e produtos nutracêuticos. O fruto é reconhecido pelo elevado teor de compostos bioativos, como antocianinas, taninos e ácidos fenólicos. A cultura apresenta boa tolerância à seca, baixa exigência nutricional e elevada longevidade, sendo adequada para regiões mediterrânicas e semiáridas. O aumento da procura internacional tem impulsionado novas plantações comerciais.

3. Caracterização botânica

A romãzeira é um arbusto ou pequena árvore que pode atingir 2 a 5 metros de altura, com ramos rígidos, frequentemente espinhosos. As folhas são opostas, simples, brilhantes e de forma elíptica a lanceolada. As flores, de coloração vermelha intensa, são solitárias ou agrupadas, com cálice carnudo e pétalas delicadas, apresentando tanto flores férteis como estéreis. O fruto é uma baga especial denominada balaúste, de casca coriácea e espessa, contendo numerosas sementes envolvidas por arilos suculentos e translúcidos, cuja cor varia do branco ao vermelho‑escuro. O sistema radicular é profundo e bem adaptado a condições de seca.

4. Exigências edafoclimáticas

A romãzeira adapta-se bem a climas mediterrânicos, caracterizados por verões quentes e secos e invernos suaves. Tolera temperaturas elevadas durante o verão, essenciais para a coloração e qualidade dos arilos, mas é sensível a geadas severas, sobretudo em fases jovens. Prefere solos bem drenados, de textura média, podendo desenvolver-se em solos relativamente pobres, desde que não sujeitos a encharcamento. O pH ideal situa-se entre 5,5 e 7,5. A cultura apresenta boa resistência à seca, embora a irrigação controlada melhore significativamente o calibre e a qualidade dos frutos.

5. Principais pragas

  • Mosca‑da‑fruta (Ceratitis capitata) — danos diretos nos frutos e perdas pós-colheita
  • Cochonilhas (Planococcus citri, Aonidiella aurantii) — sucção de seiva e fumagina associada
  • Pulgões (Aphis punicae, Aphis gossypii) — enrolamento foliar e transmissão de viroses
  • Traça da alfarroba (Ectomyelois ceratoniae) — perfurações e podridões internas dos frutos
  • Ácaros (Tetranychus urticae) — cloroses e redução da fotossíntese

6. Principais doenças

  • Alternariose (Alternaria alternata) — manchas foliares e podridões internas dos frutos
  • Antracnose (Colletotrichum spp.) — lesões deprimidas e necroses em frutos
  • Botriosferiose (Botryosphaeria spp.) — cancros e morte de ramos
  • Oídio (Oidium spp.) — revestimento branco e redução da fotossíntese
  • Podridões pós-colheita (Aspergillus spp., Penicillium spp.) — perdas significativas em armazenamento

7. Gestão cultural geral

A gestão da romãzeira baseia-se em práticas que promovem boa ventilação da copa, controlo do vigor e frutificação equilibrada. A poda é essencial para renovar ramos frutíferos e facilitar a penetração de luz. A irrigação deficitária controlada pode ser utilizada para melhorar a qualidade dos arilos, desde que sem comprometer o calibre. O controlo de pragas como cochonilhas e traça da romã requer monitorização regular e medidas integradas. A colheita deve ser realizada quando os frutos atingem coloração e firmeza adequadas, evitando danos mecânicos que favoreçam podridões.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Punica granatum
  • CABI – Crop Protection Compendium – Punica granatum
  • Holland, D., Hatib, K., & Bar‑Ya’akov, I. (2009). Pomegranate: Botany, horticulture, breeding. Horticultural Reviews, 35, 127–191.
  • Melgarejo, P., et al. (2015). Pomegranate cultivation and breeding. Scientia Horticulturae, 182, 201–208.
  • Levin, G. M. (2006). Pomegranate. Third Millennium Publishing.

 

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