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Asparagus officinalis

1. Identificação e origem

O espargo (Asparagus officinalis L.) é uma espécie hortícola perene da família Asparagaceae, originária da Europa, Norte de África e Ásia Ocidental. É cultivado pelos seus rebentos jovens (turiões), consumidos como hortícola de elevado valor gastronómico. Existem cultivares adaptados à produção de espargo verde, branco e roxo.

2. Importância económica

O espargo tem elevada importância económica em horticultura intensiva. É valorizado para consumo fresco, congelado e enlatado. A cultura apresenta boa rentabilidade devido à longevidade dos espargais (8–12 anos) e ao elevado valor comercial dos turiões. A procura tem aumentado em mercados europeus, incluindo Portugal.

3. Caracterização botânica

Planta perene com rizoma subterrâneo e sistema radicular profundo. Os turíões são rebentos jovens, colhidos antes da expansão foliar. As folhas verdadeiras são reduzidas; os cladódios assumem função fotossintética. As flores são pequenas, amareladas, e a planta pode ser dióica. Os frutos são bagas vermelhas, tóxicas para consumo humano.

4. Exigências edafoclimáticas

Prefere climas temperados, com verões quentes e secos. Tolera frio invernal, necessário para o repouso vegetativo. Desenvolve‑se melhor em solos profundos, arenosos ou franco‑arenosos, bem drenados, com pH entre 6,5–7,5. É sensível a encharcamento, que favorece podridões radiculares.

5. Principais pragas

  • Escaravelho‑do‑espargo (Crioceris asparagi): desfolha e danos nos cladódios.
  • Escaravelho‑listrado do espargo (Crioceris duodecimpunctata): danos em turiões e ramos.
  • Pulgões (Aphididae): enrolamento foliar e transmissão de viroses.
  • Mosca‑do‑espargo (Platyparea poeciloptera): danos em turíões.
  • Nemátodos (Meloidogyne spp.): galhas radiculares e declínio da planta.

6. Principais doenças

  • Ferrugem do espargo (Puccinia asparagi): pústulas alaranjadas e perda de vigor.
  • Fusariose (Fusarium oxysporum f. sp. asparagi, F. proliferatum): murchidão e declínio progressivo.
  • Podridões radiculares (Phytophthora spp.): morte de plantas em solos encharcados.
  • Mancha foliar por Stemphylium vesicarium: necroses e redução da área fotossintética.
  • Podridão pós‑colheita (Botrytis cinerea): deterioração dos turíões.

7. Gestão cultural geral

A gestão inclui escolha de cultivares adaptados ao tipo de espargo pretendido (verde, branco ou roxo). A instalação do espargal deve ser feita em solos bem drenados, com preparação profunda. A rega deve ser moderada, evitando encharcamento. A monitorização de escaravelhos, ferrugem e fusariose é essencial para manter a longevidade do espargal. A colheita deve ser realizada diariamente durante o período produtivo, garantindo turíões de qualidade.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Asparagus officinalis.
  • CABI Crop Compendium – Asparagus officinalis.
  • Rubatzky, V. E., & Yamaguchi, M. (1997). World Vegetables. Chapman & Hall.
  • FAO (2013). Asparagus production and crop management guidelines. FAO Plant Production and Protection Division.
  • Elmer, W. H. (2001). Asparagus diseases and their management. Plant Disease, APS.

 

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