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Trifolium spp.

1. Identificação e origem

O trevo forrageiro (Trifolium spp.) inclui diversas espécies leguminosas herbáceas da família Fabaceae, amplamente distribuídas pela Europa, Ásia e regiões temperadas de outros continentes. Em Portugal, as espécies mais utilizadas em sistemas forrageiros incluem Trifolium repens L., Trifolium pratense L., Trifolium subterraneum L. e Trifolium incarnatum L. São empregues em pastagens permanentes, prados temporários e sistemas de rotação, valorizadas pela capacidade de fixação biológica de azoto.

2. Importância económica

O trevo forrageiro é fundamental em sistemas pecuários extensivos e semi‑intensivos, contribuindo para a produtividade das pastagens, melhoria da fertilidade do solo e redução da necessidade de fertilização azotada. As espécies de trevo apresentam elevado valor nutritivo, boa palatabilidade e capacidade de persistência em misturas pratenses. São amplamente utilizadas em pastagens mediterrânicas, prados de sequeiro e sistemas de produção biológica.

3. Caracterização botânica

As plantas de Trifolium spp. são herbáceas, anuais ou perenes, com folhas trifoliadas características. As inflorescências são capítulos globosos ou ovóides, com flores de coloração variável (branca, rosa, púrpura ou vermelha). O sistema radicular é pivotante ou fasciculado, dependendo da espécie, com nódulos simbióticos de Rhizobium spp. responsáveis pela fixação de azoto atmosférico. A produção de sementes varia entre espécies e é influenciada por condições climáticas e práticas de maneio.

4. Exigências edafoclimáticas

O trevo adapta-se a climas temperados e mediterrânicos, com boa tolerância ao frio e sensibilidade a secas prolongadas (exceto espécies anuais mediterrânicas como T. subterraneum). Prefere solos bem drenados, com pH entre 5,5 e 7,0, ricos em fósforo e potássio. A produtividade é favorecida por precipitação outono‑invernal adequada e temperaturas moderadas. A competição com gramíneas deve ser equilibrada para maximizar a persistência.

5. Principais pragas

  • Gorgulhos do trevo (Sitona spp.) — danos radiculares e redução da fixação de azoto
  • Afídeos (Aphis craccivora, Acyrthosiphon pisum) — sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Lagartas desfolhadoras (Spodoptera spp., Autographa gamma) — redução da biomassa aérea
  • Tripes (Frankliniella occidentalis) — danos em folhas jovens e flores
  • Nemátodos (Ditylenchus dipsaci) — deformações e necroses em tecidos vegetativos

6. Principais doenças

  • Antracnose (Colletotrichum trifolii) — necroses foliares e morte de plantas jovens
  • Oídio (Erysiphe trifolii) — revestimento branco e redução da fotossíntese
  • Podridões radiculares (Rhizoctonia solani, Pythium spp.) — falhas de instalação
  • Ferrugem (Uromyces trifolii) — pústulas foliares e perda de vigor
  • Vírus do mosaico do trevo (CMV) — mosaicos e redução da produtividade

7. Gestão cultural geral

A gestão do trevo forrageiro baseia-se na seleção de espécies e cultivares adaptados ao clima e ao sistema de pastoreio. A inoculação com estirpes adequadas de Rhizobium spp. melhora a fixação de azoto. A rotação de culturas reduz pressão de doenças do solo. O pastoreio deve ser controlado para evitar sobrepastoreio e permitir recuperação vegetativa. A fertilização fosfatada e potássica é essencial para manter a produtividade. A colheita para feno ou silagem deve ocorrer no início da floração para maximizar qualidade.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Trifolium spp.
  • CABI – Crop Protection Compendium – Trifolium spp.
  • Frame, J. (2005). Forage Legumes for Temperate Grasslands. FAO.
  • Annicchiarico, P. et al. (2015). White clover and red clover improvement: state of the art and future prospects. Grass and Forage Science, 70, 1–19.
  • Nichols, P. G. H. et al. (2014). Genetic improvement of subterranean clover. Crop and Pasture Science, 65, 1132–1146.

 

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