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    Ambientes aquáticos (pântanos, lagoas, valas, canais, açudes, barragens e estações de tratamento de águas residuais)

    1. Identificação e caracterização geral

    Os ambientes aquáticos abrangem ecossistemas de água doce ou salobra, naturais ou artificiais, incluindo pântanos, lagoas, valas de drenagem, canais de irrigação, açudes, barragens e infraestruturas de tratamento de águas residuais. Estes sistemas apresentam elevada variabilidade hidrológica, química e biológica, desempenhando funções essenciais na regulação hídrica, depuração natural, suporte à biodiversidade e provisão de serviços ecossistémicos.

    2. Importância ecológica e funcional

    Estes ambientes são fundamentais para:

    • manutenção da biodiversidade aquática e ripícola
    • suporte a ciclos biogeoquímicos (carbono, azoto, fósforo)
    • retenção e depuração de nutrientes e contaminantes
    • regulação de cheias e armazenamento de água
    • habitat para espécies de interesse ecológico, económico ou sanitário
    • suporte a atividades agrícolas, industriais e urbanas (irrigação, abastecimento, drenagem, tratamento de águas)

    A sua integridade influencia diretamente a qualidade da água, a saúde pública e o equilíbrio dos ecossistemas circundantes.

    3. Caracterização física e biológica

    Estes sistemas apresentam:

    • Hidrologia variável: águas paradas (lagoas, açudes), correntes (canais, valas), ou com fluxos intermitentes.
    • Profundidade e transparência: variáveis conforme origem, gestão e carga de nutrientes.
    • Vegetação aquática: macrófitas submersas, emergentes e flutuantes (ex.: Typha, Phragmites, Lemna).
    • Fauna associada: invertebrados aquáticos, peixes, anfíbios, aves aquáticas e microrganismos.
    • Processos ecológicos chave: decomposição, sedimentação, fotossíntese aquática, ciclagem de nutrientes.

    4. Exigências ambientais e fatores condicionantes

    A qualidade e funcionalidade destes ambientes dependem de:

    • disponibilidade hídrica e regime de caudais
    • qualidade da água (nutrientes, matéria orgânica, poluentes)
    • temperatura e radiação solar
    • características do solo e sedimentos
    • presença de vegetação ripícola
    • pressão antrópica (agricultura, urbanização, descargas, obras hidráulicas)

    Ambientes eutrofizados ou com baixa renovação hídrica são mais suscetíveis a proliferação de algas, mosquitos e espécies invasoras.

    5. Principais pragas e organismos problemáticos

    • Mosquitos: Culex spp., Aedes spp. (proliferação em águas paradas).
    • Caracóis aquáticos: hospedeiros intermediários de parasitas.
    • Plantas aquáticas invasoras: Eichhornia crassipes, Azolla filiculoides, Elodea canadensis.
    • Cianobactérias: Microcystis spp. e outras produtoras de toxinas.
    • Peixes invasores: Gambusia holbrooki e outras espécies oportunistas.

    6. Principais doenças e riscos associados

    • Proliferação de cianotoxinas: associadas a florações de cianobactérias.
    • Contaminação microbiológica: Escherichia coli, Salmonella spp., Giardia, Cryptosporidium.
    • Doenças transmitidas por vetores: mosquitos associados a águas estagnadas.
    • Podridões e doenças de plantas aquáticas: Pythium e Phytophthora em zonas encharcadas.
    • Riscos químicos: acumulação de metais pesados, pesticidas e nutrientes.

    7. Gestão ambiental geral

    A gestão destes ambientes deve incluir:

    • monitorização regular da qualidade da água (nutrientes, oxigénio, pH, contaminantes)
    • controlo de vegetação aquática excessiva ou invasora
    • manutenção de caudais e renovação hídrica quando possível
    • gestão de descargas agrícolas e urbanas para reduzir eutrofização
    • controlo de mosquitos através de medidas ambientais (remoção de águas estagnadas, melhoria da circulação)
    • proteção da vegetação ripícola para estabilização de margens
    • manutenção e limpeza de valas, canais e estruturas hidráulicas
    • gestão adequada de lamas em ETAR e açudes

    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database – espécies aquáticas invasoras relevantes.
    • CABI – Invasive Species Compendium (diversas espécies aquáticas).
    • European Environment Agency (EEA) – relatórios sobre ecossistemas aquáticos.
    • FAO – Guidelines for Integrated Water Resources Management.
    • Wetzel, R. G. (2001). Limnology: Lake and River Ecosystems. Academic Press.
    • Mitsch, W. J., & Gosselink, J. G. (2015). Wetlands. Wiley.

     

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