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    Raphanus sativus

    1. Identificação e origem

    O rabanete (Raphanus sativus L.) é uma hortícola anual da família Brassicaceae, cultivada pelos seus hipocótilos e raízes tuberizadas consumidos frescos. A espécie tem origem provável na Ásia Ocidental e Mediterrâneo Oriental, sendo atualmente cultivada em todo o mundo devido ao ciclo curto e elevada adaptabilidade. Inclui diversos grupos varietais, com formas, cores e tamanhos distintos.

    2. Importância económica

    O rabanete é uma cultura de ciclo muito rápido (20–40 dias), permitindo múltiplas colheitas anuais e elevada rentabilidade por área. É amplamente utilizado em horticultura intensiva, produção ao ar livre e em estufas. O mercado fresco é o principal destino, sendo valorizado pela textura crocante e sabor picante. A cultura é também importante em sistemas de agricultura biológica e em rotações hortícolas.

    3. Caracterização botânica

    O rabanete apresenta características típicas das Brassicaceae:

    • Planta anual de porte baixo
    • Folhas basais liradas ou lobadas
    • Hipocótilo e raiz tuberizada de cor variável (vermelho, rosa, branco, roxo)
    • Flores brancas ou rosadas, em racemos
    • Siliquas alongadas contendo sementes pequenas e esféricas
    • Sistema radicular superficial, sensível a compactação

    A forma e coloração da raiz dependem do cultivar e das condições ambientais.

    4. Exigências edafoclimáticas

    O rabanete adapta‑se bem a climas temperados:

    • Temperatura ótima: 10–22 °C
    • Sensível ao calor excessivo, que induz espigamento precoce
    • Prefere solos leves, bem drenados, de textura franca a franco‑arenosa
    • pH entre 6,0 e 7,0
    • Necessita de humidade regular para evitar lignificação e sabor excessivamente picante

    O ciclo curto permite cultivo quase todo o ano em regiões de clima ameno.

    5. Principais pragas

    • Mosca‑da‑couve (Delia radicum): danos radiculares e murchidão
    • Pulgões (Aphididae): enrolamento foliar e transmissão de viroses
    • Alticas (Phyllotreta spp.): perfurações foliares típicas
    • Lagartas de lepidópteros (Pieris brassicae, Plutella xylostella): desfolha
    • Nemátodos (Meloidogyne spp.): galhas radiculares e deformações

    6. Principais doenças

    • Hérnia / potra das crucíferas (Plasmodiophora brassicae): deformações radiculares e murchidão
    • Podridões radiculares (Rhizoctonia solani, Pythium spp., Fusarium spp.)
    • Alternariose (Alternaria spp.): manchas foliares
    • Oídio (Erysiphe cruciferarum): manchas brancas e redução da fotossíntese
    • Míldio (Hyaloperonospora parasitica): manchas angulares e necroses
    • Vírus transmitidos por pulgões (ex.: TuMV): mosaicos e deformações

    7. Gestão cultural geral

    A gestão do rabanete baseia‑se em práticas integradas que incluem a sementeira direta em solos leves e bem preparados, garantindo humidade constante para uma germinação uniforme. A rotação de culturas é essencial para reduzir a incidência de doenças do solo e pragas específicas das Brassicaceae. A rega deve ser regular, evitando oscilações que provoquem rachaduras ou textura lenhosa. A fertilização deve ser equilibrada, com níveis moderados de azoto para evitar crescimento foliar excessivo em detrimento da raiz. A monitorização de alticas, pulgões e mosca‑da‑couve é fundamental, bem como a manutenção de boa ventilação e densidade adequada para prevenir doenças fúngicas. A colheita deve ser realizada no estádio ideal para evitar lignificação e perda de qualidade.


    Referências bibliográficas

    • EPPO Global Database – Raphanus sativus
    • CABI – Crop Protection Compendium – Raphanus sativus
    • FAO (2020). Temperate Vegetable Production Manual.
    • Rubatzky, V. E., et al. (2012). Vegetables. Springer.
    • Koike, S. T., et al. (2007). Diseases of Vegetable Crops. APS Press.

     

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