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Sorbus aucuparia

1. Identificação e origem

A tramazeira (Sorbus aucuparia L.), também conhecida como sorveira‑brava ou cornogodinho, é uma espécie arbórea ou arbustiva da família Rosaceae, amplamente distribuída pela Europa, Ásia temperada e regiões montanhosas do Norte de África. Em Portugal ocorre sobretudo em zonas montanas e submontanas do Norte e Centro, preferindo ambientes húmidos e frescos. É valorizada como espécie florestal, ornamental e para conservação da biodiversidade.

2. Importância económica

A tramazeira tem importância ecológica e paisagística, sendo utilizada em arborização de parques, recuperação de áreas degradadas e sistemas agroflorestais. Os frutos (tramazeiras) são consumidos por fauna silvestre e utilizados tradicionalmente em compotas, bebidas e aplicações medicinais. A madeira, embora pouco utilizada comercialmente, é densa e adequada para pequenas peças de carpintaria. A espécie é relevante para conservação de polinizadores e aves frugívoras.

3. Caracterização botânica

A tramazeira é uma árvore de pequeno a médio porte, geralmente com 8–15 m de altura. As folhas são compostas, imparipinadas, com 9–15 folíolos serrados. As flores são brancas, dispostas em corimbos densos e muito atrativos para insetos. Os frutos são pomos globosos, vermelhos a alaranjados, amadurecendo no final do verão e outono. O sistema radicular é profundo e bem ramificado, conferindo boa resistência ao vento e à secura moderada.

4. Exigências edafoclimáticas

A espécie adapta-se a climas temperados e montanos, tolerando geadas e amplitudes térmicas elevadas. Prefere solos frescos, bem drenados, de textura média a franca, com pH ligeiramente ácido a neutro. Tolera solos pobres e pedregosos, sendo frequente em encostas e linhas de água. Exige boa luminosidade, embora suporte meia‑sombra. A produção de frutos é favorecida por verões frescos e húmidos.

5. Principais pragas

  • Afídeos (Aphis pomi, Dysaphis sorbi) — enrolamento foliar e redução do vigor
  • Larva mineira (Stigmella sorbi) — galerias em folhas jovens
  • Bichado-da-fruta (Cydia pomonella) — perfurações ocasionais em frutos
  • Vespa-serradora (Pristiphora spp.) — desfolha parcial em rebentos jovens
  • Gorgulhos (Anthonomus spp.) — danos em botões florais

6. Principais doenças

  • Fogo bacteriano (Erwinia amylovora) — necroses, murchidão e morte de ramos
  • Cancros (Nectria cinnabarina, Neonectria ditissima) — lesões corticosas e declínio
  • Oídio (Podosphaera clandestina) — revestimento branco e redução da fotossíntese
  • Ferrugens (Gymnosporangium spp.) — manchas foliares e deformações
  • Podridões radiculares (Armillaria spp.) — declínio progressivo e morte da planta

7. Gestão cultural geral

A gestão da tramazeira baseia-se na instalação em solos frescos e bem drenados, evitando encharcamento. A poda de formação deve ser moderada, privilegiando a estrutura natural da copa. A monitorização de afídeos e doenças do lenho é importante em plantações jovens. A espécie beneficia de cobertura vegetal e elevada biodiversidade funcional. A colheita dos frutos ocorre no final do verão e início do outono, consoante o destino (ornamental, alimentar ou ecológico).


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Sorbus aucuparia
  • CABI – Crop Protection Compendium – Sorbus aucuparia
  • Roper, M., & Atkinson, M. D. (2020). Sorbus aucuparia (rowan) in Europe: ecology, distribution and silviculture. Forestry Commission Research Note.
  • Houston Durrant, T., de Rigo, D., & Caudullo, G. (2016). Sorbus aucuparia in Europe: distribution, habitat, and ecology. In: European Atlas of Forest Tree Species. Publications Office of the EU.
  • Rushforth, K. (1999). Trees of Britain and Europe. HarperCollins.

 

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