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Cochonilhas (superfamília Coccoidea)

1. Identificação

  • Nome comum: Cochonilhas
  • Nome científico: Diversas espécies dentro da superfamília Coccoidea (ver ponto 3)
  • Principais famílias: Diaspididae, Pseudococcidae, Coccidae, Eriococcidae (ver ponto 3)
  • Ordem: Hemiptera

2. Descrição geral

  • Pequenos insetos sugadores, geralmente imóveis nas fases adultas (fêmeas).
  • Corpo recoberto por ceras, escudos ou secreções protetoras.
  • Ninfas móveis (“crawlers”) responsáveis pela dispersão.
  • Machos, quando presentes, são alados e de vida curta.
  • Grande diversidade morfológica entre famílias.

3. Hospedeiros principais

  • Aonidiella aurantii Maskell – Citrinos, prunóideas, pereira, videira, ornamentais.
  • Aonidiella citrina Coquillett – Citrinos, ornamentais.
  • Quadraspidiotus perniciosus Comstock – Pomóideas, prunóideas, pequenos frutos, ornamentais.
  • Lepidosaphes beckii Newman – Citrinos, ornamentais.
  • Parlatoria ziziphi Lucas – Citrinos, ornamentais.
  • Aspidiotus nerii Bouché – Oleandro, citrinos, ornamentais.
  • Planococcus citri Risso – Citrinos, videira, figueira, ornamentais, plantas tropicais.
  • Planococcus ficus Signoret – Videira, figueira, ornamentais.
  • Pseudococcus viburni Signoret – Pomóideas, prunóideas, videira, ornamentais.
  • Pseudococcus longispinus Targioni‑Tozzetti – Citrinos, videira, ornamentais, plantas tropicais.
  • Pseudococcus comstocki Kuwana – Citrinos, pomóideas, videira, ornamentais.
  • Saissetia oleae Olivier – Oliveira, citrinos, ornamentais.
  • Coccus hesperidum L. – Citrinos, ornamentais, plantas tropicais.
  • Ceroplastes sinensis Del Guercio – Citrinos, ornamentais.
  • Acanthococcus araucariae Maskell – Araucária.

4. Sintomas e danos

  • Presença de escudos, massas cerosas ou corpos aderidos a folhas, ramos e frutos.
  • Produção de melada (Pseudococcidae e Coccidae), favorecendo fumagina.
  • Enfraquecimento da planta devido à sucção de seiva.
  • Queda de folhas, secura de ramos e redução de vigor.
  • Desvalorização comercial de frutos devido a manchas, deformações ou resíduos cerosos.
  • Em Diaspididae, danos diretos nos frutos e necroses nos tecidos.

5. Ciclo biológico

  • Inverno passado como ninfa ou fêmea adulta, dependendo da espécie.
  • 2 a várias gerações anuais, favorecidas por clima quente e seco.
  • Ninfas móveis surgem em picos sazonais, sendo o principal momento para intervenção.
  • Dispersão facilitada por formigas, vento, aves e movimentação de material vegetal.

6. Monitorização

  • Inspeção visual regular de folhas, ramos e frutos.
  • Observação de melada e fumagina como sinais indiretos.
  • Identificação de ninfas móveis com lupa.
  • Armadilhas adesivas para machos em algumas espécies.
  • Monitorização reforçada em pomares com histórico da praga.

7. Medidas de gestão

  • Culturais: Incluem práticas que reduzem as condições favoráveis ao desenvolvimento das cochonilhas e limitam a sua instalação. A poda melhora a circulação de ar e a penetração da luz, reduzindo microclimas propícios. A remoção de ramos muito infestados diminui a pressão populacional. Deve evitar‑se o excesso de azoto, que promove brotações tenras e suscetíveis. A utilização de material vegetal certificado e a inspeção de plantas antes da plantação ajudam a prevenir introduções. O controlo de formigas é essencial, pois estas protegem as cochonilhas e facilitam a sua dispersão.
  • Biológicas: Baseiam‑se na ação de inimigos naturais que regulam naturalmente as populações. Parasitoides como Aphytis melinus, Coccophagus lycimnia e Leptomastix dactylopii são eficazes em várias espécies. Predadores como joaninhas (Cryptolaemus montrouzieri, Chilocorus bipustulatus) e crisopídeos contribuem para a redução das populações. Em situações específicas, pode ser feita a libertação de Cryptolaemus montrouzieri em estufas ou pomares com cochonilhas‑farinhentas. A preservação destes auxiliares exige evitar inseticidas de largo espectro e manter condições favoráveis à sua atividade.
  • Proteção integrada: Assentam na monitorização regular das populações e na intervenção apenas quando os níveis justificam ação. Os tratamentos devem ser dirigidos às ninfas móveis, fase mais suscetível. Substâncias seletivas e compatíveis com a fauna auxiliar são preferíveis. Os óleos minerais ou parafínicos podem ser aplicados no inverno e no início da primavera para reduzir populações iniciais. A rotação de substâncias ativas ajuda a prevenir resistências. O controlo de formigas, a integração de práticas culturais e a conservação de auxiliares completam uma estratégia eficaz e sustentável.

Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Coccoidea (diversas espécies).
  • CABI Invasive Species Compendium – Diaspididae, Pseudococcidae, Coccidae.
  • Franco, J. C., Silva, E. B., & Branco, M. (2009). Cochonilhas‑farinhentas em Portugal. ISA Press.
  • Daane, K. M., et al. (2012). Integrated management of mealybugs in perennial crops. Annual Review of Entomology.
  • Smith, D., Beattie, G. A. C., & Broadley, R. (1997). Citrus pests and their natural enemies. Queensland DPI.

 

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