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Prados e pastagens permanentes

1. Identificação e origem

Os prados e pastagens permanentes constituem formações vegetais herbáceas, dominadas por poáceas, fabáceas e outras espécies perenes adaptadas ao pastoreio contínuo ou sazonal. Podem ser naturais, semi‑naturais ou melhoradas, resultando da interação entre clima, solo, gestão e composição florística. São comuns em regiões temperadas e mediterrânicas, desempenhando funções produtivas, ecológicas e paisagísticas.

2. Importância económica

As pastagens permanentes são fundamentais para a produção pecuária extensiva e semi‑intensiva, fornecendo alimento de baixo custo para bovinos, ovinos, caprinos e equinos. Contribuem para a estabilidade dos sistemas agro‑silvo‑pastoris, reduzindo custos de alimentação, melhorando a qualidade dos produtos animais e promovendo a sustentabilidade. Têm ainda importância na conservação do solo, sequestro de carbono, biodiversidade e prevenção da erosão.

3. Caracterização botânica

A composição florística é variável, mas inclui geralmente:

  • Poáceas perenes: Lolium perenne L., Dactylis glomerata L., Festuca arundinacea Schreb., Phalaris aquatica L., Agrostis spp.
  • Fabáceas forrageiras: Trifolium repens L., Trifolium pratense L., Medicago sativa L., Lotus corniculatus L.
  • Outras herbáceas: Plantago lanceolata L., Rumex spp., Achillea millefolium L., entre outras

As poáceas fornecem estrutura e produtividade; as fabáceas contribuem com fixação biológica de azoto; as restantes espécies aumentam resiliência e biodiversidade. O sistema radicular é profundo e denso, favorecendo a estabilidade do solo.

4. Exigências edafoclimáticas

As exigências variam conforme a composição florística, mas incluem:

  • Solos bem drenados, de textura franca a franco‑argilosa
  • pH geralmente entre 5,5 e 7,0
  • Necessidade de precipitação anual moderada a elevada, ou suplementação hídrica
  • Tolerância variável à seca (ex.: Dactylis glomerata, Festuca arundinacea)
  • Sensibilidade de algumas fabáceas ao encharcamento e à acidez elevada
  • Em sistemas mediterrânicos: forte sazonalidade, com repouso estival

5. Principais pragas

  • Pulgões (Aphididae): redução do vigor e transmissão de viroses
  • Gorgulhos das fabáceas (Sitona spp.): danos radiculares em leguminosas
  • Lagartas defoliadoras (Spodoptera spp., Mythimna unipuncta): desfolha intensa em gramíneas
  • Mosca‑do‑solo (Tipula spp.): danos radiculares em prados húmidos
  • Nemátodos (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp.): declínio vegetativo e redução da produtividade

6. Principais doenças

  • Damping‑off e podridões radiculares (Pythium spp., Rhizoctonia solani, Fusarium spp.): morte de plântulas e falhas de instalação
  • Ferrugens (Pucciniales): pústulas e redução da produção de biomassa
  • Antracnose (Colletotrichum spp.): lesões foliares em gramíneas
  • Oídio (Blumeria graminis): manchas brancas e redução da fotossíntese
  • Doenças das fabáceas: incluem podridões caulinares causadas por Sclerotinia sclerotiorum, necroses radiculares associadas a Rhizoctonia spp. e infeções virais transmitidas por pulgões (BYMV, CMV), que provocam mosaicos e reduzem a capacidade de fixação de azoto

7. Gestão cultural geral

A gestão de prados e pastagens permanentes baseia‑se em práticas integradas:

  • Seleção de misturas adaptadas ao clima, solo e sistema de pastoreio
  • Correção do pH e fertilização equilibrada, com atenção ao fósforo e enxofre
  • Maneio do pastoreio (rotacional, contínuo controlado) para evitar sobrepastoreio
  • Renovação ou sobressementeira periódica para manter a produtividade
  • Controlo de infestantes lenhosas e invasoras
  • Monitorização de pragas e doenças, com foco principal na prevenção
  • Gestão da carga animal para preservar a estrutura do coberto vegetal
  • Conservação de solo e água, incluindo manutenção da cobertura permanente
  • Em sistemas mediterrânicos: descanso estival e proteção contra pisoteio excessivo

Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Forage crops and grasslands
  • CABI – Crop Protection Compendium – Forage grasses and legumes
  • Frame, J., et al. (1998). Grassland management. FAO Plant Production and Protection Series.
  • Hopkins, A., et al. (2000). Grassland ecology and management. Horticultural Reviews.
  • FAO (2020). Grassland and Rangeland Management Manual.
  • Lüscher, A., et al. (2014). Forage legumes and grasses in temperate systems. Acta Horticulturae.

 

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