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Oryza spp.

1. Identificação e origem

O arroz pertence ao género Oryza (família Poaceae), sendo Oryza sativa L. (asiático) e Oryza glaberrima Steud. (africano) as espécies cultivadas mais relevantes. O. sativa terá sido domesticado há cerca de 8–10 mil anos nas regiões húmidas da Ásia (China e Sudeste Asiático), difundindo‑se posteriormente para a Europa, África e Américas. É atualmente uma das culturas alimentares mais importantes do mundo, constituindo a base da dieta de mais de metade da população global.

2. Importância económica

O arroz é um dos cereais mais produzidos e consumidos a nível mundial, com grande relevância económica e social. Em Portugal, destaca‑se a produção nas regiões do Vale do Tejo, Sado e Mondego. O grão é utilizado para consumo direto, transformação industrial (farinhas, bebidas, produtos extrusados) e alimentação animal. A cultura tem peso significativo no comércio internacional e é estratégica para a segurança alimentar global.

3. Caracterização botânica

Planta herbácea anual, com colmos ocos e nós bem definidos. As folhas são lineares, com lígula membranosa. A inflorescência é uma panícula composta, onde se desenvolvem as espiguetas que originam os grãos. O sistema radicular é fasciculado e adaptado a condições de inundação. As variedades diferenciam‑se pelo porte, ciclo vegetativo, arquitetura da panícula e características do grão (comprimento, teor de amilose, cor).

4. Exigências edafoclimáticas

O arroz adapta‑se a climas quentes e húmidos, necessitando de temperaturas médias superiores a 20 °C ao longo do ciclo. É altamente tolerante ao encharcamento, sendo tradicionalmente cultivado em regime de inundação controlada. Prefere solos argilosos a franco‑argilosos, com boa capacidade de retenção de água. O pH ideal situa‑se entre 5,5 e 7,0. A disponibilidade hídrica é crítica, sobretudo nas fases de diferenciação da panícula e enchimento do grão.

5. Principais pragas

  • Broca‑asiática‑do‑arroz (Chilo suppressalis): perfurações nos colmos, causando acamamento e redução da produtividade.
  • Percevejos (Oebalus poecilus, O. insularis): sucção dos grãos em formação, provocando manchas e perda de qualidade.
  • Afídeos (Aphididae): sucção de seiva e transmissão de viroses.
  • Mosquitos do arroz (Hydrellia spp.): danos nas plântulas e redução do estande.
  • Ácaros (Tetranychidae): cloroses e diminuição da área fotossintética, sobretudo em condições de calor e secura.

6. Principais doenças

  • Brusone / Piriculariose (Magnaporthe oryzae): lesões elípticas nas folhas, necroses no colmo e panículas estéreis; é a doença mais destrutiva da cultura.
  • Escaldão (Bipolaris oryzae): manchas castanhas nas folhas e redução do vigor.
  • Podridões do colmo (Fusarium spp., Sclerotium oryzae): enfraquecimento estrutural e acamamento.
  • Bacteriose (Xanthomonas oryzae pv. oryzae): estrias amareladas que evoluem para necrose.
  • Viroses (Rice yellow mottle virus, Rice tungro virus – em regiões tropicais): cloroses, nanismo e forte redução da produção.

7. Gestão cultural geral

Inclui a utilização de semente certificada, seleção de variedades adaptadas à região, preparação adequada do solo e gestão eficiente da água (inundação, drenagem e manutenção do nível hídrico). A fertilização deve ser equilibrada, evitando excessos de azoto que favorecem o desenvolvimento de brusone. O controlo de infestantes é crítico, sobretudo nas fases iniciais. A monitorização de pragas e doenças deve ser contínua, complementada por práticas como rotação de culturas, manejo da palha e drenagens estratégicas. A colheita deve ser realizada no ponto ótimo de maturação, minimizando perdas e garantindo a qualidade do grão.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Oryza sativa
  • CABI – Crop Factsheets – Rice (Oryza spp.)
  • FAO – Rice Market Monitor e documentos técnicos sobre produção de arroz
  • IRRI (International Rice Research Institute). Rice Production Manual. Los Baños, Filipinas
  • Smith, C. W., & Dilday, R. H. (Eds.). (2003). Rice: Origin, History, Technology, and Production. Wiley

 

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