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Lupinus spp.

1. Identificação e origem

Os tremoceiros (Lupinus spp.) são leguminosas herbáceas da família Fabaceae, distribuídas principalmente pela bacia mediterrânica, América do Norte e América do Sul. Em Portugal, destacam‑se Lupinus albus L. (tremoço‑branco), Lupinus luteus L. (tremoço‑amarelo) e Lupinus angustifolius L. (tremoço‑azul). São utilizados como culturas forrageiras, adubos verdes e, no caso de L. albus, também para consumo humano após processamento adequado para remoção de alcaloides.

2. Importância económica

Os tremoceiros têm elevada importância agronómica devido à capacidade de fixação biológica de azoto, contribuindo para a fertilidade do solo e redução de fertilização mineral. São utilizados em pastagens, produção de grão para alimentação animal e melhoria estrutural do solo. L. albus possui ainda valor alimentar e industrial. As espécies mediterrânicas são relevantes em sistemas de sequeiro, graças à boa tolerância à seca e solos pobres.

3. Caracterização botânica

As plantas de Lupinus spp. são anuais ou perenes, com porte variável entre 30 e 150 cm. As folhas são compostas, palmadas, com 5–11 folíolos. As inflorescências são racemos densos, com flores papilionáceas de coloração variável (branca, amarela, azul ou púrpura). As vagens são alongadas, contendo sementes ricas em proteína. O sistema radicular é profundo e vigoroso, com nódulos simbióticos de Bradyrhizobium spp.

4. Exigências edafoclimáticas

Os tremoceiros adaptam‑se bem a climas mediterrânicos, tolerando secura estival e temperaturas moderadamente baixas. Preferem solos ácidos a ligeiramente ácidos (pH 5,0–6,5), bem drenados e pobres em calcário ativo. São sensíveis a encharcamento e salinidade. A produtividade é favorecida por precipitação outono‑invernal adequada e temperaturas amenas durante o ciclo vegetativo.

5. Principais pragas

  • Gorgulhos (Sitona spp.) — danos radiculares e redução da fixação de azoto
  • Afídeos (Aphis craccivora, Acyrthosiphon pisum) — sucção de seiva e transmissão de viroses
  • Lagartas (Spodoptera spp., Helicoverpa armigera) — redução da biomassa aérea
  • Tripes (Frankliniella occidentalis) — danos em folhas jovens e flores
  • Nemátodos (Ditylenchus dipsaci) — deformações e necroses em tecidos vegetativos

6. Principais doenças

  • Antracnose (Colletotrichum lupini) — necroses, lesões nos caules e morte de plantas jovens
  • Podridões radiculares (Rhizoctonia solani, Pythium spp.) — falhas de instalação
  • Oídio (Erysiphe spp.) — revestimento branco e redução da fotossíntese
  • Ferrugem (Uromyces lupinicolus) — pústulas foliares e perda de vigor
  • Vírus do mosaico do tremoceiro (LCMV) — mosaicos e redução da produtividade

7. Gestão cultural geral

A gestão do tremoceiro baseia‑se na escolha da espécie e cultivar adaptados ao tipo de solo e regime hídrico. A inoculação com estirpes adequadas de Bradyrhizobium spp. é essencial para maximizar a fixação de azoto. A rotação de culturas reduz pressão de doenças do solo. O controlo de infestantes é crítico nas fases iniciais devido ao crescimento relativamente lento. A colheita para grão deve ocorrer quando as vagens estão secas e as sementes atingem maturação fisiológica.


Referências bibliográficas

  • EPPO Global Database – Lupinus spp.
  • CABI – Crop Protection Compendium – Lupinus spp.
  • Gladstones, J. S. (1998). Lupins as Crop Plants: Biology, Production and Utilization. CAB International.
  • Lucas, M. M. et al. (2015). The future of lupin as a protein crop in Europe. Frontiers in Plant Science, 6, 705.
  • Dracup, M., & Thomson, B. (2000). Lupin improvement in Australia. Australian Journal of Agricultural Research, 51, 813–823.

 

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