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Bursaphelenchus xylophilus

1. Identificação

A murchidão‑do‑pinheiro é uma doença letal que afeta sobretudo espécies de Pinus, caracterizada por murchidão rápida, perda de cor das acículas, interrupção do fluxo de resina e morte súbita da árvore. O agente causal é o nemátodo Bursaphelenchus xylophilus, transmitido principalmente por insetos do género Monochamus (coleópteros cerambicídeos), que atuam como vetores durante a alimentação e oviposição.

2. Agente causal

Nemátodo do género Bursaphelenchus, sendo Bursaphelenchus xylophilus a espécie responsável pela doença. A espécie foi originalmente descrita por Steiner & Buhrer em 1934, tendo sido posteriormente redescrita e reclassificada por Nickle em 1970. Este nemátode coloniza os canais resiníferos e o xilema, provocando bloqueio hídrico e morte rápida da árvore.

  • Características gerais: incluem ciclo de vida curto, elevada capacidade reprodutiva, formas dispersivas associadas ao vetor (Monochamus spp.) e multiplicação rápida em tecidos lenhosos e fungos associados. A sua atividade provoca cavitação, perda de resina e falência do sistema condutor
  • Espécies mais referidas: Bursaphelenchus xylophilus é a única espécie associada à murchidão‑do‑pinheiro; outras espécies do género, como Bursaphelenchus mucronatus, são morfologicamente semelhantes mas não patogénicas.

3. Hospedeiros principais

  • Pinheiro‑bravo (Pinus pinaster) – altamente suscetível
  • Pinheiro‑manso (Pinus pinea) – suscetibilidade moderada
  • Pinheiro‑silvestre (Pinus sylvestris) – suscetível
  • Outras espécies de Pinus podem ser afetadas
  • Árvores debilitadas por seca, incêndio, pragas ou cortes recentes apresentam maior risco

4. Sintomas

  • Copa: manifesta perda de cor das acículas, que passam de verde para verde‑acinzentado e posteriormente castanho‑avermelhado, acompanhada de murchidão progressiva e secura generalizada da copa.
  • Ramos e tronco: apresentam redução ou ausência de exsudação resinosa, secura dos ramos, perda de flexibilidade e, em fases avançadas, morte rápida dos tecidos condutores.
  • Madeira: evidencia coloração mais seca e opaca, perda de resina, cavitação dos canais resiníferos e interrupção do fluxo de água, sem apresentar descolorações marcadas típicas de fungos vasculares.
  • Outros sinais: presença de orifícios de emergência e galerias de Monochamus spp., que funcionam como vetores; pode observar‑se serrim fino associado à atividade larvar.

5. Ciclo da doença

  • O nemátode sobrevive em madeira infetada e no interior de adultos de Monochamus spp.
  • Durante a alimentação dos insetos em ramos jovens, os nemátodes dispersivos são transmitidos às árvores saudáveis.
  • No interior da árvore, multiplicam‑se rapidamente nos canais resiníferos e xilema.
  • A obstrução dos vasos e a cavitação levam à falência hídrica e morte da árvore em semanas.
  • Árvores mortas ou recentemente abatidas servem de local de reprodução para Monochamus, perpetuando o ciclo.

6. Condições favoráveis

  • Temperaturas elevadas (acima de 25–30 °C) que aceleram o ciclo do nemátode
  • Árvores enfraquecidas por seca, incêndios ou danos mecânicos
  • Elevada densidade de vetores (Monochamus spp.)
  • Presença de madeira morta, cortada ou em decomposição que favorece a reprodução do inseto
  • Períodos de stress hídrico prolongado

7. Gestão da doença

  • Culturais: incluem a remoção e destruição de árvores sintomáticas ou mortas, o abate sanitário em zonas infestadas, a eliminação de madeira morta ou recentemente cortada que possa servir de local de reprodução para Monochamus, e a adoção de práticas de gestão que reduzam o stress hídrico e aumentem a vitalidade dos povoamentos.
  • Gestão de vetores: baseia‑se na monitorização de populações de Monochamus spp., utilização de armadilhas atrativas quando recomendado, cumprimento de períodos legais de corte e transporte de madeira e redução de focos de reprodução do inseto.
  • Prevenção: envolve evitar ferimentos no tronco, cumprir normas fitossanitárias de circulação de madeira, manter povoamentos com densidades adequadas e promover práticas que aumentem a resiliência das árvores ao stress ambiental.

Nota: não existe tratamento curativo eficaz para árvores infetadas; a gestão depende da prevenção, controlo do vetor e eliminação rápida de árvores afetadas.


Referências bibliográficas

  • EPPO (European and Mediterranean Plant Protection Organization). PM 7/4 (3) Bursaphelenchus xylophilus. EPPO Diagnostic Protocol.
  • Sousa, E., Naves, P., Bonifácio, L., Rodrigues, J. M. (2015). Pine Wilt Disease: A Threat to European Forests. EFI Technical Report, European Forest Institute.
  • Mota, M. M., & Vieira, P. (2008). The Pinewood Nematode, Bursaphelenchus xylophilus. In: Pine Wilt Disease: A Worldwide Threat to Forest Ecosystems. Springer.
  • Rodrigues, J. M., & Fonseca, L. (2019). Pine Wilt Disease in Europe: Current Situation and Research Advances. Forest Systems.
  • EFSA Panel on Plant Health (PLH). (2013–2021). Scientific Opinions on Bursaphelenchus xylophilus and Pine Wilt Disease. European Food Safety Authority.
  • Naves, P., Sousa, E., Rodrigues, J. M. (2017). Monochamus galloprovincialis and the Spread of Pine Wilt Disease in Europe. Forestry Review.
  • Vieira, P., & Mota, M. (2013). Biology and Epidemiology of Pine Wilt Disease in Europe. European Journal of Plant Pathology.

 

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